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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 168

Tudo indicava que tinha sido Henrique quem mandara cancelar a reunião.

Ele devia ter percebido o que ela estava tentando fazer.

E, conhecendo o rancor daquele homem, Tatiane não tinha dúvida: se Henrique estava indo para Horizonte Novo, não era por um bom motivo.

Como não recebeu resposta de imediato, Bia foi perdendo o entusiasmo de antes e chamou, baixinho:

— Tia Evelyn...

Tatiane voltou a si.

Tudo bem.

Se pudesse ver a filha, aguentaria qualquer coisa.

Além disso, ela e Henrique já estavam em lados opostos havia muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, os dois acabariam se enfrentando de verdade. Aquilo era só o começo.

Então ela suavizou a voz:

— Claro que pode vir ver a titia.

Bia se animou na hora.

— Oba! Então, quando eu chegar em Horizonte Novo com o papai, eu ligo pra tia Evelyn.

— Tá bom.

Depois que desligou, Tatiane soltou um suspiro comprido.

Pousou o celular, trocou de roupa, vestiu um conjunto esportivo e foi para a academia do hotel.

Na manhã seguinte, às dez, ela participaria da cerimônia de assinatura com o pessoal da Pró-Vida.

Às nove em ponto, deixou o hotel e seguiu para a sede da empresa.

Heitor estava dirigindo.

Tatiane vinha no banco de trás, com os documentos nas mãos, resolvendo uma ligação de trabalho.

Assim que encerrou a chamada, o carro deu um solavanco brusco.

Tatiane ergueu os olhos.

— O que foi?

Heitor estava tenso, com as mãos presas ao volante.

— O freio e o acelerador falharam.

O carro já estava prestes a entrar no viaduto.

Sem conseguir reduzir a velocidade, com o trânsito carregado do horário de pico e o veículo cada vez mais fora de controle, a situação piorou em segundos.

— Evelyn, se segura!

Tatiane levantou o braço no mesmo instante e se agarrou à alça no teto do carro.

Heitor girou o volante com força, mas já não conseguia controlar o veículo. O carro foi batendo em outros ao longo do caminho.

A avenida virou um caos num instante.

Buzinas dispararam por todos os lados. Pedestres recuaram em pânico, tentando escapar sem nem olhar para trás.

Tatiane empalideceu.

À frente, o carro avançava desgovernado na direção da calçada.

— Cuidado!

Tatiane soltou o ar, aliviada.

Logo em seguida, perguntou:

— E a Pró-Vida? O que aconteceu?

— Já avisaram sobre o acidente. A assinatura foi adiada.

Tatiane assentiu.

— Que horas são?

— Quatro da tarde. Você ficou desacordada por sete horas. Bateu a cabeça, mas, felizmente, não houve nenhuma lesão mais grave. Mesmo assim, vai precisar ficar internada em observação por dois dias.

Assim que soube do acidente, Leandro largou tudo o que estava fazendo e correu para o hospital.

Tatiane tentou se sentar.

Leandro ajustou a cama para ajudá-la a ficar recostada. Com a cabeça enfaixada, ela ainda se sentia tonta, como se tudo ao redor balançasse.

Leandro serviu um copo d’água para ela.

Ele já tinha providenciado um advogado para cuidar de tudo relacionado ao acidente. Quem precisasse ser indenizado seria. Havia feridos, mas, por sorte, ninguém tinha morrido.

— O carro já foi para a perícia. Confirmaram falha no freio e no acelerador. A polícia já está investigando.

Tatiane bebeu a água e apoiou o copo no criado-mudo ao lado da cama.

Na verdade, não era difícil imaginar quem teria interesse em fazer mal a ela.

Ainda assim, o melhor era esperar o resultado da investigação.

Nesse momento, bateram à porta do quarto.

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