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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 874

Henrique despejou o vinho no decantador e, depois de deixá-lo respirar por alguns instantes, serviu duas taças. O aroma encorpado logo se espalhou pela sala.

Ele entregou uma delas a Tatiane.

Ela recebeu a taça, girou o vinho devagar e provou um pequeno gole.

— O que achou?

— Nada mal.

Henrique ergueu a própria taça, convidando-a para um brinde.

A luz do lustre de cristal se refletia em seus olhos, que naquela noite pareciam mais claros, livres daquela profundidade indecifrável que ele costumava carregar.

Tatiane o observou por um instante antes de encostar sua taça na dele.

Os dois beberam em silêncio.

Terminaram a primeira taça, depois a segunda, até esvaziarem a garrafa inteira.

Aos poucos, as bochechas de Tatiane ganharam um tom avermelhado, e seu olhar adquiriu o brilho suave da embriaguez.

Ela pousou a taça, levantou-se e caminhou até a janela em busca de um pouco de ar.

Lá fora, a cidade brilhava sob as luzes coloridas da noite.

Havia chovido naquela tarde, e a brisa que entrava pela janela trazia uma umidade fresca e agradável.

Tatiane permaneceu em silêncio, contemplando a paisagem enquanto o vento tocava seu rosto e agitava de leve seus cabelos.

Henrique se aproximou e parou ao lado dela. Também olhou para a cidade antes de perguntar:

— No que está pensando?

Tatiane respirou fundo.

— Na verdade, você já sabia há muito tempo sobre mim e Felipe.

Henrique não tentou negar.

— Sabia.

Tatiane virou o rosto para ele.

— Desde quando, exatamente?

Henrique demorou alguns instantes para responder.

— Antes de você sair do país. Felipe me pediu que procurasse informações sobre você e seu pai.

Tatiane ficou imóvel.

Pouco depois, soltou uma risada baixa, carregada de tristeza.

— Então você já sabia desde aquela época...

Henrique não respondeu. Apenas continuou olhando para ela.

Depois de um longo silêncio, Tatiane tornou a encará-lo. Seus olhos estavam vermelhos.

— E ele nunca mais perguntou nada?

As lágrimas escorreram silenciosamente por seu rosto.

— Você venceu.

Tatiane respirou fundo e se virou para voltar à sala.

Henrique, porém, segurou seu pulso. No instante seguinte, puxou-a contra o peito.

Tatiane tentou afastá-lo com todas as forças, mas ele a abraçou ainda mais firme.

— Se quiser chorar, chore.

Ela se debateu duas vezes.

Tentou conter as emoções de todas as formas, mas, no fim, não conseguiu mais.

Seus dedos se fecharam com força sobre a camisa de Henrique, enquanto um choro abafado, carregado de dor, tomava a sala.

Era a dor acumulada de incontáveis noites difíceis.

A frustração de perceber que, depois de tanto lutar, havia voltado ao mesmo ponto e continuava incapaz de romper aquelas amarras.

A dor das feridas abertas, no passado, justamente pelas pessoas que deveriam tê-la protegido.

E também o medo de permitir que Bia passasse pelo mesmo que ela havia vivido.

Henrique apenas a manteve nos braços, deixando que chorasse e colocasse para fora tudo o que vinha reprimindo havia tanto tempo.

Tatiane já não sabia quanto tempo havia passado.

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