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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 206

Cristiano não conseguiu segurar a pergunta:

— Você foi sozinha com o Beto levar a Bia?

Tatiane assentiu e respondeu com calma:

— No fundo, ele já deve ter entendido tudo. Só acho que o Henrique não conseguiu negar esse pedido à Bia.

No começo, ela tinha pensado em esperar o divórcio com Henrique sair para decidir como contaria a verdade. Mas, nos últimos tempos, tinha se aproximado demais de Bia. A essa altura, continuar escondendo quem era já parecia quase impossível.

Ela nunca imaginou que a menina fosse se apegar tanto, nem que fosse gostar tanto dela. Principalmente depois de ver aquele desenho, o coração, que antes vivia inquieto, finalmente encontrou sossego.

Desde que Bia não a odiasse...

O resto já não metia medo.

Mesmo que Henrique descobrisse quem ela era.

Noemi franziu a testa, sem entender.

— Mas se ele já sabe quem você é, Tati, por que não te expôs?

Tatiane manteve a serenidade ao responder:

— Porque, neste momento, nós dois somos praticamente estranhos. Não existe nada para expor.

Noemi explodiu na mesma hora:

— Esse teu quase ex-marido consegue ser ainda mais nojento que o Murilo.

Murilo era o ex-marido de Noemi.

Leandro e Noemi não demoraram a ir embora.

Três dias depois, Tatiane acompanhou Leandro a um jantar de gala a bordo de um cruzeiro. A viagem duraria dois dias e três noites.

Naquela noite, os convidados eram todos nomes de peso do meio empresarial, do país e de fora dele.

Leandro e Tatiane estavam ali para discutir uma possível parceria.

Na verdade, tinha sido a outra parte que procurara Leandro.

Do outro lado estava Cássio, um dos diretores do Grupo MK e também seu CEO. Irmão de Jorge, era, portanto, tio biológico de Karine.

Nos últimos anos, o Grupo MK estava longe de viver dias tranquilos. A empresa vinha sendo sacudida por disputas internas, brigas por poder e jogos de influência. Em meio àquela guerra, Felipe foi, pouco a pouco, engolindo o espaço de Jorge. A essa altura, Jorge já não conseguia mais contê-lo de verdade. Entre os dois, restava apenas uma aparência frágil de cordialidade.

Embora Felipe tivesse crescido na família Rodrigues desde pequeno, ao lado de Eliane, ele não tinha o sangue dos Rodrigues correndo nas veias. Para Jorge, sempre tinha sido apenas uma peça no tabuleiro, alguém moldado para servir aos seus planos. Só que a peça cresceu demais e fugiu do controle.

Jorge não podia ficar assistindo, de braços cruzados, a Felipe tomar o Grupo MK por completo. Por isso, buscar apoio externo tinha se tornado uma necessidade.

E a Alvorada era justamente um dos grupos que eles mais queriam trazer para o próprio lado.

No segundo seguinte, o som de vidro se espatifando no chão cortou o ambiente.

Um dos funcionários, ao recolher as bebidas, passou mal de repente, tropeçou e bateu na mesa. As taças despencaram e se quebraram no chão.

Logo outros funcionários correram para ajudá-lo e o levaram dali.

Tinha sido só um pequeno incidente. Ninguém deu muita importância.

Leandro olhou para Tatiane.

— Você está bem?

Tatiane balançou a cabeça.

— Estou.

Mas, quando levantou os olhos por acaso, seu olhar parou na mesma hora.

No segundo andar, apoiado no corrimão da sacada, estava uma figura que ela conhecia muito bem.

Era Henrique.

Ele também estava ali.

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