Mas, depois do impacto que Tatiane causou ao entrar, Karine já não parecia tão deslumbrante assim.
Colocadas lado a lado, a diferença ficava ainda mais evidente.
Tatiane tinha o fascínio maduro de uma mulher no auge, como um vinho tinto envelhecido pelo tempo: rico, intenso, embriagante, com uma sedução que se insinuava aos poucos e deixava marcas.
Karine, por outro lado, carregava o frescor juvenil de uma garota mais nova, doce e delicada, agradável como um perfume leve, mas sem aquele magnetismo capaz de fazer alguém querer ficar.
O vestido de Tatiane tinha uma cauda mais longa, e Leandro, cavalheiro como sempre, se abaixou para erguer a barra, para que ela caminhasse sem tropeçar.
Karine estreitou o olhar ao encarar as costas da mulher.
Ao mesmo tempo, fragmentos de conversa começaram a chegar aos seus ouvidos.
— A senhorita Karine sempre foi considerada uma beleza rara, mas hoje ficou claro que sempre existe alguém acima. Perto daquela mulher, ela acabou apagada. Se eu fosse homem, também escolheria a outra.
— Ela e o senhor Leandro ficam lindos juntos. Sério, combinam demais. Isso vai partir o coração de muita mulher.
— O senhor Henrique já está com a Karine, e agora o senhor Leandro também parece comprometido. Pelo visto, os homens mais extraordinários nunca sobram para a gente.
— Ainda tem o Roberto, da família Barbosa. Ele também não é nada mal... Vai que, né?
Leandro também era um dos homens mais admirados daquele círculo social.
E talvez o mais raro nele fosse justamente isso: em um meio tão corrompido, tão cheio de excessos e segundas intenções, ele ainda conseguia se manter à parte, limpo, intocado, como se não pertencesse à mesma lama que os outros.
Um homem íntegro. Elegante. Quase inalcançável.
Dava mesmo a impressão de ser um cavalheiro impecável, uma joia rara que o mundo ainda não tinha conseguido manchar.
Não era à toa que tantas mulheres se apaixonavam por ele.
Pena que, até hoje, Leandro sempre parecera incapaz de amar alguém de verdade.
Agora, porém, ao vê-lo tão atento e cuidadoso com outra mulher, todos finalmente entendiam que até a flor mais intocável no alto da montanha podia descer do pedestal.
E a mulher capaz de tirá-lo de lá era justamente alguém com aquela beleza e aquela presença.
Karine ouvia cada comentário como se fossem agulhas finas perfurando seus ouvidos, uma a uma, deixando-a cada vez mais irritada.
A mão que pendia ao lado do corpo foi se fechando devagar, os dedos crispados de raiva.
— Kari, vamos.
Henrique a chamou em voz baixa.
Karine se recompôs às pressas, ergueu os olhos para ele e forçou um sorriso.
— Tá.
Tatiane e Leandro foram acomodados à mesa principal.
No centro ficava o lugar reservado ao responsável pelo leilão beneficente daquela noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
30 capítulo e não aconteceu nada de interessante, esse cara é ridículo, a história tá perdendo enredo, era pra tá prendendo a gente , mas já tá um saco, li até aqui e não vi sentido algum. Me desculpa só sendo sincera…...