Com as duas mãozinhas apoiadas na beirada da cama, Bia abriu de repente um sorriso travesso para Tatiane e chamou, toda contente:
— Mamãe.
Ao ouvir aquilo, Tatiane sentiu as pupilas vacilarem. O coração levou um golpe seco, como se algo a tivesse atingido em cheio. A emoção que ela vinha reprimindo havia tanto tempo, aquela sede muda, aquele desejo enterrado no fundo do peito, rompeu de uma vez, como uma represa cedendo, e inundou cada nervo do seu corpo.
Sentado no banquinho ao lado, Henrique observava tudo em silêncio. O rosto bonito permanecia calmo, sem deixar transparecer nada.
Só depois de um longo instante Tatiane conseguiu organizar os pensamentos outra vez.
— Bia... Por que você está me chamando assim?
Bia respondeu com a maior naturalidade do mundo:
— Porque a tia enfermeira falou que a tia Evelyn é a minha mamãe.
Então se inclinou um pouco mais para perto dela e perguntou, cheia de preocupação:
— Mamãe, está doendo? A Bia sopra pra sarar.
Depois de passar a chamá-la de mamãe, Bia parecia não enxergar nada de estranho naquilo.
Tatiane, porém, por um momento não soube nem como corrigi-la.
No fim, mesmo com o peito apertado de dor, acabou corrigindo a menina.
O rostinho de Bia murchou na mesma hora.
— Tá bom, então.
Tatiane sentiu como se uma agulha fina lhe atravessasse o coração.
Quando ergueu os olhos, deu de cara com um olhar escuro voltado para ela. O peito se apertou no mesmo instante, como se ela tivesse acabado de cometer algo imperdoável. Henrique apenas a fitou por um segundo. Depois baixou os olhos e desviou o olhar.
O tempo passou assim até Tatiane terminar toda a medicação.
Pouco depois, a enfermeira voltou ao quarto e retirou o acesso venoso.
A médica recomendou que ela descansasse direito nos dias seguintes.
— Primeiro, vou te receitar algumas fórmulas da medicina chinesa pra ajudar seu corpo a se recuperar. — Em seguida, reforçou num tom sério. — Mas o mais importante continua sendo descanso. Não se force tanto e cuide melhor da sua saúde. Senão, remédio nenhum vai adiantar.
Tatiane assentiu.
— Eu sei. Obrigada, doutora.
Ela já vinha sentindo dores havia algum tempo, mas nunca tinham sido tão fortes quanto nas duas últimas crises, a ponto de precisar ir ao hospital para tomar medicação na veia.
A cada vez, parecia pior.
E, desta vez, ela tinha quase certeza de que tudo tinha sido provocado pelo estresse causado por Henrique.
Bia também agradeceu, toda educada:
— Obrigada, tia doutora.
A médica olhou para ela e, como acontecia com todo mundo, não resistiu. Estendeu a mão e apertou de leve sua bochechinha.
— Agora pode ir pagar e pegar os remédios.
Depois de dar as últimas orientações, saiu do quarto.
Ainda precisavam levar Bia para a escola.
Assim que entrou no carro, Tatiane recebeu uma ligação de Roberto.
— Tati, a Mô me contou que você está no hospital.
— Sim, mas não foi nada sério. Vocês já voltaram? E o meu irmão?
— Está na empresa. Eu acabei de chegar. — Respondeu Roberto.
— Quando eu voltar, a gente conversa.
— Quer que eu vá te buscar?
— Não, obrigada.
Àquela altura, Tomás já estava no estacionamento. Depois que deixassem Bia na escola, ela voltaria com ele.
Naquele dia, só lhe restava trabalhar de casa.
Quando o motorista voltou com os remédios, ligou o carro e saiu do hospital em direção à escola.
Ao chegarem ao portão, a professora já estava esperando para receber Bia.
— Tchau, papai. Tchau, tia Evelyn.
Depois que Bia entrou na escola, Tatiane nem pensou em se despedir do homem ao lado.
Apenas se virou e foi direto para o carro de Tomás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
Cadê o final dos demais. E esse final entre eles q idiotice foi esse...
Não acredito que passei meses lendo um livro.pra no final essa autora sem nexo concluir um final bosta desses. Gastei dinheiro num final fuleiro desse...
Acabou? Só isso? 1217 é o último capítulo mesmo?...
Autora, agora você acertou em cheio. Essa declaração de Henrique foi demais. Ele sabe que ela recuperou a memória, ele não pede perdão, ele assume o erro, ele promete compensar pelo resto da vida, ele não exige que ela acredite, ele espera que ela acredite. É outro homem, kkkk. Esse homem também é muito carente, precisava deixar o filho com fome, mamando todo o leitinho da mãe? Kkkkk....
A história ta chata,Henrique um imbecil, canalha desde o início, Tatiane sem nenhuma atitude de verdade....
Eu pulei do capítulo 1122 para o capítulo 1146 e, ACREDITEM....., não senti nenhuma diferença....
Entre os parágrafos: OS DOIS SE VIRARAM...e ANDRÉ DEMONSTROU SURPRESA.; tem mais 5 parágrafos sim bastante coisa. Aqui a gente paga e não recebe toda a história. Acompanho no app GOOD NOVEL e vejo que falta muito texto aqui....
Esse livro era otimo ate o capitulo 700 mas agora esta simplesmente um porre.... sem falar q atualiza a prestação. Ja gastei tanto tempo e dinheiro, so por isso continuo... se naoz queria nem ler essa porcaria mais....
Um capítulo por dia!!!! Não é possível, a história já está se arrastando faz tempo, nenhuma tomada de decisão e agora um capítulo por dia! Acho que a autora quer que os leitores abandonem o livro....
Agora vai um capítulo por dia? Então muda lá na capa onde diz "7 capítulos por dia"....