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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 486

Nos dois dias seguintes, Tatiane não voltou para casa.

Em primeiro lugar, porque o fim de ano estava uma verdadeira correria. O projeto da Terravista já havia sido deixado de lado, e uma nova negociação estava em andamento. De olho no bônus anual, a equipe inteira vinha trabalhando até tarde, sem parar. Naturalmente, ela também não podia baixar a guarda.

Em segundo, porque ainda precisava investigar, por conta própria, o projeto da TC.

Era um projeto bilionário, na casa dos dez bilhões. Diante de um interesse daquela dimensão, poucas pessoas conseguiriam resistir a uma tentação assim.

Henrique realmente estava disposto a abrir mão daquilo?

Para ele, desistir daquele projeto certamente representaria uma perda enorme.

Além disso, como envolvia tecnologia de inteligência artificial, o projeto poderia muito bem ser desenvolvido em parceria com a Vértice Tecnologia. Se aquele contrato fosse assinado, Cristiano não apenas cumpriria a meta que havia assumido, como a superaria com folga. Com isso, o valor de mercado da Vértice Tecnologia dispararia.

Mas era difícil demais adivinhar o que se passava pela cabeça de Henrique.

Tatiane não podia se arriscar de maneira imprudente.

No terceiro dia, Henrique ligou.

— Já pensou bem? O projeto não vai ficar esperando.

— Você está na empresa agora?

— Estou em casa, cuidando da Bia. Ela teve febre de repente ontem à noite. A febre já baixou, mas ela ainda está meio abatida.

Ao ouvir aquilo, o coração de Tatiane se apertou.

Nesse momento, Heitor entrou para que ela assinasse um documento. Tatiane lhe passou algumas instruções rápidas, pegou suas coisas e saiu da empresa.

Ao chegar ao Residencial Aurora, encontrou Henrique na sala, assistindo à televisão com Bia.

A menina estava com um adesivo antitérmico na testa, molinha, encostada no colo do pai. Assim que viu a mãe, estendeu os bracinhos, pedindo colo.

— Mamãe.

A vozinha doce saiu fraca, quase sem força.

Tatiane a tomou nos braços. Ao ver a filha tão abatida, sem a vivacidade de sempre, sentiu o peito doer.

Os dois ficaram com Bia na sala, acompanhando o desenho animado. Pouco depois, a menina adormeceu encostada em Tatiane.

Henrique a pegou no colo e a levou de volta para o quarto. Depois de acomodá-la na cama, desceu.

Tatiane estava sentada no sofá, esperando por ele.

Henrique se sentou à sua frente.

Tatiane respirou fundo, tirou uma caneta-tinteiro da bolsa e a entregou a ele.

Sem a menor hesitação, Henrique assinou o próprio nome no contrato.

No instante em que viu a assinatura surgir no papel, Tatiane sentiu uma sensação estranha no peito. Nem ela mesma soube dizer o que era.

Henrique lhe devolveu o contrato assinado.

Tatiane o pegou e olhou para a assinatura. Os traços dele eram firmes e vigorosos, com uma força difícil de ignorar.

Ela ergueu os olhos para ele.

Henrique girava a caneta entre os dedos longos, num movimento rápido e ritmado. Então perguntou:

— Posso ficar com ela?

Aquela caneta havia sido feita sob encomenda. Custara mais de dez mil. Além disso, bastava olhar para o modelo para perceber que não combinava nem um pouco com um homem como ele.

Claro que, se ele quisesse, também não faria tanta diferença. Comparada ao projeto que ele lhe entregara, aquela caneta não era nada.

Ainda assim, Henrique sempre lhe passava a mesma sensação: em cada gesto, em cada palavra, parecia existir algum risco escondido, alguma armadilha cuidadosamente montada.

Ao notar o olhar desconfiado dela...

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