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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 609

Roberto voltou a atenção para a quadra, onde Henrique e Wellington jogavam. Depois de um breve silêncio, disse:

— Quando esse dia chegar de verdade, primo, aí você tenta me convencer.

Depois do jantar, Henrique se preparou para ir embora com Bia.

A menina se despediu dos mais velhos um por um, e Tatiane também se despediu de Marcelo e dos demais.

Antes que ela saísse, Helena lhe entregou uma peça decorativa de pedra verde, delicadamente esculpida, daquelas que se ofereciam no começo do ano como símbolo de proteção, sorte e bons caminhos.

Tatiane ficou surpresa. Por um instante, não soube como receber o presente.

Helena disse com gentileza:

— Somos todos família. Fique com ela.

Tatiane entendeu o que havia por trás daquelas palavras. Para Helena, ela ainda era esposa de Henrique, ainda fazia parte daquela família.

No fundo, Tatiane já não reconhecia essa posição como sua. E a própria família Barbosa nunca a aceitara de verdade. Ainda assim, diante da boa intenção de Helena, não encontrou motivo para recusar.

Antes que pudesse dizer alguma coisa, Henrique pegou a peça das mãos do funcionário e disse a Helena:

— Obrigado, dona Helena. Eu guardo para ela.

Helena olhou para ele e falou com sinceridade, como quem deixava um conselho vindo do coração:

— De agora em diante, cuidem bem da vida de vocês.

Henrique assentiu.

— Eu sei.

Tatiane não pôde dizer mais nada. Apenas agradeceu a Helena.

Em seguida, ela e Henrique saíram da sala segurando Bia pelas mãos.

Só depois que os três se afastaram Bruna percebeu Roberto ainda parado no mesmo lugar. Aproximou-se dele e perguntou:

— Beto, vai ficar aí parado até quando?

Roberto sabia esconder bem as próprias emoções, mas Bruna era mãe. Não deixaria de notar a mudança no filho.

Antes, sempre que Henrique e Tatiane levavam Bia à casa dos Carvalho, Roberto arrumava alguma desculpa para dizer que estava ocupado. Agora, em pleno feriado de Ano-Novo, não tinha mais como fugir.

Como ainda havia muita gente por perto, Bruna não podia falar demais. Apenas o consolou em voz baixa:

— Se estiver cansado, sobe e descansa um pouco.

Roberto assentiu com um murmúrio e subiu para o quarto.

Mais tarde, Marcelo chamou André para conversar a sós.

— Como está essa história do Henrique agora?

Durante o dia, ele não havia perguntado muito a Tatiane sobre ela e Henrique. Afinal, aquilo dizia respeito à vida dos dois. Mesmo assim, era evidente que havia algo errado entre eles. Pareciam duas pessoas ainda juntas apenas por causa da filha.

André respondeu:

— Pelo que vejo, ele ainda quer continuar com a Tati. A Bia ainda é pequena, afinal. Já a Tati, neste momento, acho que só fica ao lado dele por causa da menina. E o senhor conhece o Rick. Fazer aquele homem reconhecer o erro, baixar a guarda e tentar reconquistar a Tati com humildade... Por enquanto, isso ainda parece praticamente impossível. Então não tem muito o que fazer. É deixar o tempo trabalhar. A gente também não precisa se preocupar tanto.

Marcelo soltou um resmungo.

— Quem disse que eu quero me preocupar com ele? Se não fosse pela Bia, eu até preferia que a Tati se divorciasse logo.

Ao chegarem ao estacionamento, Henrique disse a Tatiane:

— Peça ao motorista para levar seu carro. Você vem comigo.

Tatiane não respondeu. Apenas entregou a chave ao motorista.

Henrique assumiu a direção. Tatiane e Bia se sentaram no banco de trás.

Tatiane respondeu apenas com um murmúrio. Em seguida, tirou a pulseira, colocou-a de volta na caixinha e guardou tudo com cuidado.

— Decidi fazer o aniversário da Bia na Austrália. Ela já queria mesmo conhecer o lugar. — Disse Henrique.

O aniversário de Bia seria no oitavo dia do feriado. Faltavam poucos dias.

Nas últimas semanas, Tatiane e Henrique quase não tinham tido nenhuma conversa de verdade. Ainda assim, ele já havia decidido tudo sozinho.

— Se você já decidiu, não tenho o que dizer. — Respondeu Tatiane.

Henrique continuou:

— Então vamos um dia antes, no sexto dia do feriado. Se quiser convidar alguém, me avise. Eu providencio um jatinho para levar todo mundo.

Tatiane murmurou em concordância. No máximo, avisaria Noemi.

Ela pegou o celular e, depois, olhou para o homem ao lado. Sua voz estava fria e calma.

— Mais alguma coisa?

— Vai dormir com a Bia esta noite? — Perguntou Henrique.

— Peça para arrumarem o quarto ao lado. De agora em diante, vou ficar nele. — Respondeu Tatiane.

A frase saiu simples, direta, sem nenhuma emoção, como se ela estivesse apenas falando de algo sem importância.

Henrique a encarou.

— Por quê?

Tatiane parou por um instante, ainda com o celular na mão. Não olhou para ele.

— Não tem porquê. Vai ser assim.

Depois disso, deixou o celular de lado, levantou-se e foi para o banheiro.

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