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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 881

Do outro lado da linha, Henrique perguntou:

— Já comeu?

— Já.

Ele soltou um breve "hum" antes de continuar:

— O que você comeu?

Tatiane ficou em silêncio por um instante. Respirou fundo e citou dois pratos.

— Estavam bons?

— Razoáveis.

— Na próxima vez, quero experimentar também.

— Você que sabe.

Henrique não disse mais nada.

Por um momento, Tatiane pensou que ele tivesse desligado. Afastou o celular do ouvido e conferiu a tela, mas a chamada continuava ativa.

— Tem mais alguma coisa?

— Você não vai perguntar o que eu estou fazendo?

Tatiane apertou o celular entre os dedos. Depois de alguns segundos, cedeu:

— O que você está fazendo?

— Acabei de sair de uma reunião.

Ela não fazia ideia de como continuar aquela conversa.

Vozes surgiram ao fundo. Alguém parecia ter se aproximado para falar com Henrique sobre trabalho.

— Então pode resolver isso primeiro.

— Hum.

Em seguida, ele encerrou a ligação.

Tatiane deixou o celular de lado. Ao notar que Patrícia a observava, virou-se para ela.

— O que foi?

A sala mergulhou em silêncio, preenchida apenas pelo som da televisão.

Depois de algum tempo, Tatiane tornou a olhar para Patrícia.

— Você também não precisa se preocupar tanto comigo. Eu queria me divorciar do Henrique porque precisava romper de vez com aquela versão miserável de mim mesma e deixar o passado para trás. Mas, quando penso na saúde física e emocional da Bia, tudo isso perde a importância.

Ela fez uma breve pausa antes de continuar:

— Pelo menos, o Henrique ama a Bia de verdade. E eu também. Pensando bem, não quero que ele tenha outros filhos no futuro e que eles acabem dividindo com ela tudo o que deveria ser dela. Talvez ele tivesse razão quando disse que esse é o meu destino. Por mais que eu tente fugir, a vida sempre acaba me trazendo de volta para o mesmo lugar. E, quanto mais resisto, mais me machuco. Talvez aceitar seja a única maneira de tornar tudo um pouco menos difícil, para mim e para quem está ao meu redor.

Patrícia suspirou em silêncio.

Um homem como Henrique, herdeiro de uma família como os Barbosa, bonito, rico e influente, jamais teria dificuldade para encontrar mulheres atraentes e bem-sucedidas dispostas a lhe dar filhos. Bastava que ele quisesse.

Ainda assim, naquele momento, toda a atenção dele parecia voltada para Bia. Se não fosse pela filha, provavelmente já teria assinado o divórcio com Tatiane havia muito tempo.

Patrícia não podia defender tudo o que ele havia feito, mas, naquele aspecto, Henrique realmente não deixava a desejar.

Eram raros os homens que desistiam de um divórcio por causa dos filhos. Na maioria das vezes, eram as mães que suportavam tudo por eles.

Patrícia se aproximou e segurou a mão de Tatiane.

— Como alguém de fora, nunca vou conseguir sentir exatamente o que você sente. Sempre achei que você deveria viver por si mesma. Mas a verdade é que, neste mundo, é muito difícil pensar só em si. Já que não existe outro caminho, talvez seja melhor deixar as coisas seguirem o curso natural e entregar o resto ao destino.

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