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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 976

Henrique ergueu os olhos para Tatiane.

Percebendo a intensidade daquele olhar, ela virou discretamente o corpo, evitando encará-lo.

— Sim. Estou almoçando fora.

— Está bem.

Trocaram apenas mais algumas palavras antes de encerrarem a ligação.

Tatiane abaixou o celular e percebeu que pai e filha continuavam olhando para ela. Henrique, em especial.

Sentado do outro lado da mesa, ele a observava com uma seriedade desconfortável, quase como se já tivesse decidido que ela escondia alguma coisa.

Bia, por outro lado, fitava a mãe com os olhos arregalados, cheia de expectativa.

Tatiane acabou cedendo.

— Está bem, Bia. Vamos comer.

A menina pegou a colher e começou a almoçar, satisfeita.

Sem tornar a olhar para Henrique, Tatiane abriu a própria marmita. Havia dois acompanhamentos e uma porção de sopa. Pegou o garfo e começou a comer, agindo com a maior naturalidade possível.

A refeição era simples, comida caseira como qualquer outra. Nada que pudesse despertar a desconfiança de Henrique.

Além disso, Tatiane já tinha deixado muito claro em casa que ninguém deveria comentar nada na frente dele.

— Está gostoso?

Ela se voltou para Bia.

A menina mastigava com as bochechas tão cheias que parecia um esquilinho. Tinha acabado de comer um pedaço de carne de porco ao molho, e ainda restava um brilho de gordura no canto dos lábios.

Bia levantou os olhos para a mãe.

— Está uma delícia.

A comida de Santa Vitória costumava ter sabores mais marcantes do que a de Nova Aurora, mas agradava facilmente a quem vinha de fora.

Tatiane colocou um pouco da própria comida no prato da filha.

Bia provou, mastigou por alguns segundos e logo sorriu, apertando os olhos de satisfação.

— A comida da mamãe é ainda mais gostosa.

Tatiane sorriu e serviu mais um pouco para ela.

De repente, Bia comentou:

— O papai também quer que a mamãe coloque comida no prato dele.

Tatiane ergueu os olhos por instinto e encontrou Henrique sentado à sua frente.

Ele respondeu à filha:

— O papai não quer.

Bia franziu a testa, sem entender.

— Então por que o papai fica olhando tanto para a mamãe?

A pergunta pegou Henrique desprevenido. Ainda assim, quando respondeu, sua voz continuou paciente e carinhosa.

— O papai não está querendo comida. Coma direitinho, Bia.

A menina tornou a olhar para Tatiane.

Henrique e Bia acompanharam Tatiane até a entrada do prédio comercial onde ela trabalhava.

Tatiane se abaixou diante da filha.

— Vá com o papai, Bia. A mamãe precisa voltar para o trabalho.

Bia levantou a mão e acenou.

— Tchau, mamãe.

Tatiane sorriu e se virou para entrar no prédio.

Antes que desse mais de alguns passos, ouviu Henrique perguntar:

— Que horas você sai hoje?

Tatiane parou por um instante.

Virou-se para ele e demorou alguns segundos antes de responder:

— Às seis.

Henrique apenas assentiu, sem fazer mais perguntas. Segurou a mão de Bia.

— Vamos, Bia.

Tatiane permaneceu onde estava por alguns instantes, acompanhando os dois com os olhos enquanto se afastavam.

Só então entrou no prédio e seguiu para os elevadores.

Assim que voltou ao escritório, recebeu uma ligação de Noemi.

— Tati, como a Bia está agora? Posso levar a Ceci para vê-la?

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