Luísa sentiu, pela primeira vez, o significado da frase: "Com dinheiro, tudo se resolve".
— Já está ficando tarde, vamos comer primeiro. — Disse Rodrigo, ainda segurando a mão de Cacá. As palavras calmas saíram lentamente de seus lábios finos.
Luísa lançou um olhar para a lata de lixo.
— Mamãe, vamos. — Cacá estendeu a outra mão para segurá-la, desviando sua atenção.
— Está bem. — Luísa respirou fundo.
Os três foram juntos a um restaurante perto do parque. Sentados perto da janela, era possível ver todo o parque e, mais adiante, o lago.
Durante a refeição, Rodrigo conversou com Cacá de vez em quando, como se o telefonema de antes tivesse sido apenas uma ilusão. Isso fez Luísa pensar. O acidente de carro com a Tatiana era real ou não?
— No que está pensando? — Rodrigo perguntou ao ver que ela quase não comia.
Luísa olhou para ele. Não havia nenhuma preocupação nem conflito em seu semblante, parecia o mesmo de sempre.
Ela não pensou mais nisso, pegou os talheres e começou a comer. Verdade ou mentira, não tinha nada a ver com ela. Ela só precisava cuidar da própria vida.
Rodrigo achou que ela estava um pouco estranha, ora distraída, ora perdida em pensamentos, como se algum problema sério a estivesse perturbando.
— Papai. — Depois de comer uns pedaços, Cacá já estava um pouco satisfeito. Com os olhos redondos bem abertos, falou. — Depois a gente vai brincar de sala de escape juntos, pode ser?
— Pergunta para sua mamãe. — Rodrigo olhou instintivamente para Luísa ao lado dele.
Cacá virou o olhar para ela.
— Tudo bem. — Luísa queria recusar, mas, pensando que era raro passarem o dia assim, acabou concordando.
Antes, quando ia na sala de escape, ela sempre se escondia nos braços de Rodrigo. Ela é típica pessoa que morre de medo, mas adora brincar. Agora não tinha ninguém em quem confiar, mas havia coisas que, cedo ou tarde, precisavam ser superadas. Ela não podia ter medo para sempre.


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