Ele a viu passar do medo extremo à superação. Viu que, mesmo morrendo de medo, no fim ela criou coragem e venceu. Esse amadurecimento não o deixava feliz. Ele sabia muito bem que, se não desse um jeito de mantê-la ao seu lado, um dia ela superaria todo o seu conforto atual, assim como hoje superou o medo, e o deixaria por completo. Esse desfecho era algo que ele não queria ver, muito menos aceitar.
— Papai. — Cacá estava prestes a compartilhar algo com ele quando percebeu que o olhar que ele lançava para a mãe parecia estranho. — Você está chateado porque não participou?
Luísa ergueu os olhos e olhou para ele. No mesmo instante, esbarrou naquele par de olhos negros e profundos.
— Sim. — Rodrigo desviou o olhar depois de um instante e perguntou, meio sério, meio brincando. — Você vai consolar o papai?
— Não. — Cacá recusou sem a menor piedade.
Durante toda aquela tarde, Cacá e Luísa se divertiram muito. Rodrigo passou o tempo inteiro carregando as bolsas e pegando as coisas.
Até depois do jantar, quando voltou para casa e se deitou na cama para descansar, Cacá ainda estava imerso naquele dia feliz passado com o papai e a mamãe. Mas ele sabia muito bem que, assim que adormecesse, o pai com certeza iria procurar a outra mulher.
À noite, às nove em ponto, Cacá foi colocado para dormir por Luísa. Depois de fechar a porta do quarto dele, ela saiu e viu que Rodrigo ainda estava do lado de fora.
— O Cacá já dormiu, você pode ir embora. — Luísa deu a ordem de saída.
— O dia ainda não acabou. — Rodrigo levantou o pulso e deu uma olhada no relógio.
Luísa não respondeu. Vendo que ele estava sendo tão insistente, não disse mais nada.
Ela foi até uma cadeira no canto da sala, sentou-se, ligou o computador e começou a desenhar para um dos seus trabalhos freelancer. Mas a presença de Rodrigo era forte, o olhar dele era tão intenso que, mesmo de costas, ela conseguia senti-lo a observando.
Justo quando estava prestes a mandá-lo embora de novo, o celular de Rodrigo tocou.
Ele olhou a tela, atendeu com indiferença, e a voz saiu baixa e séria:
— O que foi?
— Te mandei tantas mensagens, por que você não respondeu nenhuma? — A voz de Henrique veio com um leve tom de reclamação. — Você viu ou não?


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