Até então, faziam quatro anos que eles não se viam. Mas, como sempre conversavam no grupo de bate-papo dos três, a amizade entre eles continuava intacta.
— Mesmo que o mundo mude, este jovem aqui não muda. — Disse Marcos com firmeza.
Luísa sorriu.
Ele lançou um olhar para o centro de treinamento de artes marciais da família Monteiro e perguntou sem rodeios:
— Você veio buscar o Cacá?
— Vim ver como ele está, mas a essa hora ele já deve ter almoçado e estar tirando a soneca. Daqui a pouco, depois das seis, eu volto para buscá-lo. — Luísa checou o horário e seus olhos caíram na bagagem dele, não muito longe. — Você não deve ter comido, não é?
— Saí do avião direto planejando em te fazer a surpresa. De onde eu ia tirar tempo para comer? — Marcos respondeu sem qualquer formalidade.
— Então é por minha conta. — Luísa sorriu de leve.
Ela tinha ido até ali só por impulso. Depois de todo o desgaste com Glauber, ela decidiu ver o Cacá para aliviar um pouco a cabeça. Sempre que algo desagradável acontecia, bastava olhar para o menino e tudo melhorava.
Mas agora, com o amigo voltando de tão longe, todo o peso tinha sido levado embora.
— Nem pensar. — Marcos foi pegar a própria mala, com o mesmo tom de sempre. — Se a bruxa da Bruna souber que deixei você pagar o meu almoço, ela volta só para me partir ao meio!
O calor daquela amizade antiga a atingiu fundo, afastando por completo a nuvem que pairava sobre ela nos últimos dias, revelando um céu azul e claro.
— Vamos, vou te levar para comer. — Marcos a fez entrar no próprio carro.
Para preparar um reencontro com ela, ele organizou para que o carro fosse entregue no aeroporto e, ao mesmo tempo, saiu rastreando onde Luísa estava. Felizmente, o esforço valeu a pena e ele a encontrou!
Os dois não sabiam, mas, a pouca distância dali, cada movimento de ambos estava sendo observado com absoluta clareza de dentro de um Maybach preto.
A pressão no interior do carro era quase palpável. Henrique, ao notar pelo canto do olho o homem ao lado com a expressão fria, mal ousou respirar. No coração dele, o ressentimento contra o assistente Pedro atingia alturas inéditas.
Não tinha nenhum fantasma os perseguindo, então por que ele dirigia tão rápido?


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