Pensando assim, o estado de espírito de Luísa estava melhor do que nunca. Ela sabia que a pressão era grande, sabia que seria cansativo, mas agora havia esperança.
— Eu vou ficar mais de olho nas coisas do hospital. — Eduardo reprimiu todas as emoções e, como médico, deu a ela a garantia máxima que podia oferecer. — Você cuide das suas coisas com tranquilidade.
— Então agradeço desde já. — Luísa respondeu.
Vendo que não havia mais nada a ser dito, ela se levantou para voltar ao quarto. No instante em que sua mão tocou a maçaneta, Eduardo ergueu os olhos e a chamou:
— Luísa.
— Sim? — Ela olhou por cima do ombro.
As sobrancelhas delineadas, o olhar límpido e firme, na expressão já não havia a docilidade de antes, mas sim força e determinação. Era como se, em poucos dias, ela tivesse se tornado outra pessoa. Vendo que ele a observava, ela deixou a maçaneta e perguntou:
— O que foi?
— Nada. — Eduardo achou que ela, desse jeito, estava muito bem. — Só queria dizer que, se um dia você estiver ocupada demais para vir, me avise. Assim eu vou ver sua mãe por você.
— Está bem, obrigada! — O tom dela era sincero.
Depois de retribuir com um sorriso, ela abriu a porta e saiu, os passos rápidos e firmes, como seu coração naquele momento.
De volta ao quarto, ela se sentou ao lado da cama, segurou a mão da mãe e a encostou no rosto. Quando olhou para a pessoa deitada, seus olhos estavam cheios de ternura e de uma dependência profunda.
Ela conversou por horas com Dulce. Contou o que tinha vivido nesses dias, falou dos planos para o futuro, disse que sentia saudades.
Cada palavra foi ouvida com clareza absoluta por Rodrigo, que assistia tudo pela tela do computador. O frio em seu corpo só aumentou ao ouvir as palavras. A mão que repousava ao lado apertou-se, tensa. Em todos os planos que Luísa fazia para o futuro havia o Cacá, havia Dulce. Só não havia ele.

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