Luísa lançou um olhar rápido para ele e, sem sequer cumprimentá-lo, puxou Cacá pela mão e se virou para ir embora.
— Espera. — Rodrigo a chamou.
Os passos de Luísa pararam. Antes que ela pudesse falar, a porta do carro se abriu. Rodrigo desceu com uma passada longa, parou diante dela, o corpo inteiro irradiando uma maturidade firme e contida.
— O que foi? — Luísa perguntou de maneira casual, expondo sem disfarces o seu desdém.
O olhar de Rodrigo desceu até as mãos dela, entrelaçadas às de Cacá.
— Vem aqui um instante. Tenho algo para te dizer. — Disse com a voz baixa.
Luísa não se moveu. Ela não iria só porque ele mandou. Por que faria isso?
— Se quiser que o Cacá também escute, eu não me importo. — Ao passar por ela, ele inclinou-se ligeiramente e sussurrou essas palavras ao seu ouvido.
Os lábios vermelhos de Luísa se contraíram.
— Mamãe, o que houve? — Cacá ergueu o rostinho.
— Nada. Fica aqui um pouquinho. — Luísa bagunçou o cabelo dele com um gesto suave e um sorriso tranquilizador no rosto. — Vou ali falar com seu pai. Quando terminar, a gente vai para casa.
— Está bem. — Cacá assentiu.
Luísa curvou o dedo indicador e cutucou de leve o nariz do menino. Só então caminhou na direção de Rodrigo.
Enquanto os via se afastando, Cacá mexeu algumas vezes no seu relógio digital e enviou uma mensagem.
Luísa, sem saber disso, avançou até ganhar distância suficiente. Então olhou para Rodrigo como se olhasse para um estranho, fria e distante:
— Fala. O que você quer?

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