Onde quer que ela estivesse, a felicidade a seguia.
— Cícero, eu odeio você.
— Cícero, por que você não morre?
— Cícero, você por acaso quer que nosso filho seja uma máquina fria? Não importa o que seja, o nosso bebê será muito amado.
— Cícero, eu vou te vingar. Quem te fez mal vai me pagar caro...
— Cícero, não durma. A Valentina está aqui com você, Cícero...
— Eu quero que o mundo inteiro seja feliz. Inclusive nós.
— Este é o primeiro par de sapatos que você me deu. Vou guardar a sete chaves, para vermos quando formos velhinhos de cabelos brancos. Eu vou chorar tanto que o meu nariz vai escorrer...
— Se falarem mais uma besteira sobre ele, corto a língua de vocês. Não sabem o que é respeito? Se xingarem o Cícero de novo, vão ter que se ver comigo! Se eu chamar vocês de cachorros de rua, também vão gostar?
De vestido branco de tule, sentada ao piano no jardim, Valentina inclinou levemente a cabeça e o observou com interesse.
— Todo mundo aqui já disse o nome. E você?
Cícero.
Valentina, o meu nome é Cícero.
Na terra natal dos meus pais, não chovia há anos. No dia em que nasci, caiu um temporal tão forte que as plantas reviveram. Por isso, eles me chamaram de Cícero. O grão que germina na terra úmida, a semente que prospera nas tormentas. Queriam que minha vida fosse sempre regada e próspera.
Até os três anos, fiquei aos cuidados do meu avô.
Depois dos três, meus pais me buscaram para morar na Cidade Y.
Todos falavam que os meus pais tinham começado do nada, que eram brilhantes, a elite. E diziam que, no futuro, eu também seria assim: inteligente e poderoso.
Naquela época, eu não queria muito. Não tinha sonhos grandiosos nem ambições. A única coisa que desejava era uma vida tranquila, que meu avô tivesse vida longa, que meus pais tivessem saúde, e que eu pudesse formar uma família unida. Eu trabalharia duro para sustentar esse nosso pequeno lar.
...


— Mã... Ti-tia...
O peito de Valentina apertou. Assim que ela abriu a boca para responder, ouviu um som vindo de longe.
Foi um estrondo surdo, um estalo pesado.
O som inequívoco de algo despencando e colidindo com o chão.
Por puro instinto, Tadeu tentou olhar na direção do estrondo, mas Valentina o abraçou subitamente.

Uma lufada de vento cortou a noite, trazendo um alento fresco sobre aquela terra calcinada.
E, assim, tudo havia terminado.
Todo o furor, a loucura e o fogo implacável. Tudo ficara no passado.

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