— Hum. — O pomo de adão de Henrique se moveu. Seu olhar parou sobre as duas figuras por um momento, e ele disse com voz rouca: — Você está...
Ele ia perguntar se ela estava voltando para a Cidade L, mas Isabela entendeu errado.
Ela manteve a compostura e colocou a mão sobre a cabeça de Eloy.
— Meu filho. — disse Isabela com naturalidade. — Eu me casei.
Henrique, vendo aquela postura defensiva, sorriu amargamente por dentro.
Ele assentiu, colaborando:
— Muito fofo. Quantos anos?
— Três anos.
Isabela diminuiu a idade em quase um ano; afinal, a diferença de altura entre três e quatro anos não era visualmente tão grande.
Henrique não a desmentiu, respondendo baixo:
— Entendo. Que bom.
O outro policial já tinha escolhido seu lanche e se virou, chamando:
— Henrique, terminei. O que você vai querer?
— Não estou com fome, vou pegar só uma água. — Henrique virou o corpo, colando-se à prateleira para liberar o corredor estreito. — Podem passar.
Isabela assentiu e puxou Eloy para passar.
Quando estavam prestes a cruzar um pelo outro, Eloy, que seguia obedientemente ao lado de Isabela, parou de repente.
Isabela tentou puxá-lo, mas ele não se moveu. Ela perguntou:
— Quer comprar mais alguma coisa?
Eloy ignorou a mãe, com os olhos fixos na mão esquerda de Henrique, que pendia ao lado do corpo.
Havia uma faixa enrolada naquela mão, algo que não estava lá na última vez que se viram.
Naquele dia, na porta da creche, quando aquela moto elétrica avançou, esse tio o protegeu em seus braços e rolou no chão várias vezes. Ele bateu o cotovelo no meio-fio, sangrou, e só se preocupou em perguntar se Eloy estava bem.
Gabriel disse que ter encontrado o tio era um segredo entre eles, que não podia contar para a mamãe, senão ela ficaria preocupada.
Por isso, ele tinha que fingir que não o conhecia.
Mas...
Eloy olhou para aquela faixa, franziu as sobrancelhas e sentiu um aperto no peito.
— Tio.
A voz infantil e macia soou na loja de conveniência.
Ele soltou a mão de Isabela e deu um passinho à frente.
Isabela ficou surpresa.
Eloy normalmente era muito cauteloso e não gostava de dar papo para estranhos, muito menos para um policial com cara de poucos amigos como aquele.

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