Assim que as palavras saíram, ele percebeu que a situação era crítica.
— Eu...
O pequeno Eloy, com culpa no cartório, travou e não conseguiu falar.
Isabela conhecia muito bem aquela coisinha que ela mesma dera à luz.
Toda vez que roubava chocolate ou quebrava um modelo que Gabriel lhe dera e o escondia, ele ficava exatamente assim.
— Olhe nos olhos da mamãe. — Isabela também se agachou. — Onde você viu esse tio antes? Por que disse que ele se machucou de novo?
O coraçãozinho de Eloy batia acelerado.
Ele começou a entender por que a Davia e o Gabriel escondiam as coisas da mamãe quando mentiam.
O que fazer? O que fazer?
Gabriel disse que não podia contar, mas a mamãe brava era assustadora!
Ele olhou para Henrique com um pedido de socorro no olhar.
Henrique também sentiu um frio na espinha.
Se Isabela descobrisse que ele já havia tido contato com a criança na Cidade L, com o temperamento atual dela, certamente acharia que ele estava tramando para roubar a guarda.
— É que... Isabela, na verdade... — Henrique tentou abrir a boca para ajudar.
— Estou perguntando para a criança. — Isabela lançou um olhar frio para ele. — Não é da sua conta, fique quieto.
Henrique se calou, intimidado pelo olhar dela.
Ninguém ousava dar um pio quando ele dava bronca na tropa, mas agora, silenciado por uma única frase da ex-mulher, teve que ficar quieto de castigo no canto.
Os outros policiais ao lado assistiam à cena embasbacados.
O pequeno Eloy, vendo que o reforço não adiantou nada, teve que se salvar sozinho.
Ele girou os olhinhos, tirou a mãozinha da boca, torceu a barra da camisa e gaguejou uma frase:
— Foi... foi... na televisão.
Henrique aproveitou para complementar rapidamente:
— Os filmes policiais e desenhos animados hoje em dia são bem populares. As crianças assistem muito, devem achar que policiais sempre se machucam.
A desculpa era péssima.
Eloy assentiu:
— É, na Patrulha Canina também!
Isabela levantou-se e percorreu com o olhar os dois novamente.
Eram parecidos demais.


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