No dia seguinte, antes mesmo do céu clarear, Henrique já havia acordado.
Os hábitos de muitos anos não haviam se alterado muito, mesmo durante a doença, e além disso, ele não conseguira ter um sono muito tranquilo.
Ficou encarando o teto, atordoado por algum tempo.
Se saísse para correr pela manhã, era muito provável que Isabela ficasse brava de novo e o atirasse de volta ao hospital, junto com a bagagem.
Era preciso ter consciência.
Ele rolou, levantou-se, lavou o rosto e escovou os dentes, e foi para a cozinha.
Os ingredientes comprados ontem eram suficientes; ele checou as horas e planejou preparar primeiro o café da manhã para si e Isabela. Quando Eloy acordasse, faria a parte dele.
"Dono de casa".
Essa palavra saltou repentinamente à mente de Henrique, e a mão que batia os ovos paralisou por um instante.
O café da manhã ainda não estava pronto quando houve movimento na porta do quarto de hóspedes.
Isabela saiu.
Não olhou para ele, nem foi ver Eloy. Entrou no banheiro para se arrumar e voltou para o quarto.
Henrique não se atreveu a dizer nada.
Ela tinha mau humor matinal. Ir falar com ela nessa hora seria o mesmo que irritá-la. Agora ele tinha aprendido a lição, sabendo exatamente quando ficar calado e fingir ser invisível.
Algum tempo depois, Isabela trocou de roupa para sair; o cabelo não estava preso de forma desleixada como em casa, mas caindo liso e suave; ela havia passado uma maquiagem leve no rosto, com um batom cor de folha de bordo que dava vida à sua expressão.
Muito bonita e muito formal.
Henrique, que colocava o café da manhã na mesa, ficou com os olhos grudados nela por alguns segundos e, com muito controle, os recolheu antes que ela percebesse.
— Acordou?
Ele puxou uma cadeira: — O café da manhã está pronto. Sanduíches e mingau de aveia.
Isabela lançou um olhar para a refeição sobre a mesa, sentou-se, pegou a comida e começou a comer.
Henrique ficou ali do lado observando-a, sentindo como se formigas andassem pelo seu coração.
— Vai levar o Eloy para sair hoje? — Ele arriscou perguntar.
— Não vou levá-lo.
Henrique não teve nem tempo de se alegrar quando ouviu a frase seguinte.
— Eu tenho uns assuntos para resolver lá fora, hoje o Eloy fica sob os seus cuidados.
Ela o estava usando como babá.
Henrique sentou-se à frente dela, pensando que até que era bom. Se ela podia confiar o filho a ele, isso significava que estava depositando sua confiança nele.
Isso era algo bom.
— Certo. — Ele aceitou rapidamente. — Vai voltar para o almoço? O que você quer comer? Assim eu posso...
— Não vou voltar. — Isabela o interrompeu. — E à noite, não é certeza, você se vira sozinho.
Henrique olhou para as roupas requintadas de Isabela e o sanduíche em sua mão quase foi esmagado.
Vestida tão elegantemente, sem levar a criança, e planejando ficar o dia inteiro fora.
Onde ela ia? A quem iria encontrar?
Davia? Algum outro amigo do passado?
Ou... Aquele homem que ainda não havia partido?
Inúmeros pensamentos giravam em sua mente, nomes escondidos em sua boca, mas no final, foram engolidos de volta.

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