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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 328

— Aquela mulher aprontou mais uma pelas minhas costas! E antes da polícia bater na nossa porta, ela ainda teve a audácia de negar. Agora a Glaucia está processando a infeliz. — Napoleão esbravejou, com a mente um verdadeiro caos.

O peso da humilhação era tamanho que ele mal conseguia erguer a cabeça.

Ele nunca havia aprovado Glaucia, que agora era sua ex-nora. Mas, ironicamente, a família Pires não parava de passar vexame e servir de piada para ela, vez após vez.

Sendo um homem que valorizava o próprio status acima de tudo, ele não sabia onde enfiar a cara.

Para piorar a situação, por mais que o casamento não tivesse sido concluído, aos olhos da alta sociedade paulistana, Hortência já era a nora da família. Ele não podia simplesmente ignorar o problema. Só de pensar nisso, Napoleão tinha vontade de devolver Tadeu para a barriga da mãe.

— E... e o que vamos fazer agora? — Vitória também estava perplexa. Jamais imaginou que alguém fosse capaz de causar tantos desastres em tão pouco tempo.

Eles haviam passado a tarde anterior focados em castigar Tadeu. Num pequeno descuido, a mulher já havia arrumado outra confusão colossal.

Napoleão massageou as têmporas, sentindo a dor de cabeça aumentar: — Onde está o Tadeu? Foi ele quem inventou de colocar essa mulher dentro de casa. Que ele mesmo resolva essa bagunça.

— Mas o Tadeu... depois que você o trancou ontem, eu não sei se ele já aprendeu a lição. Se a gente soltar ele agora, e se ele resolver ir atrás daquela mulher de novo...? — Vitória hesitou.

No dia anterior, depois que ela arrastou Tadeu de volta para a mansão, Napoleão, movido pela fúria, dera um tapa no rosto do filho.

Uma discussão acalorada se seguiu entre os dois.

Vendo que Tadeu continuava cego e obstinado, Napoleão o trancou no quarto. Agora, libertá-lo não parecia a ideia mais segura para Vitória.

Napoleão lançou um olhar cortante para ela: — Se ele não for, vai você?

— Eu... — Apenas a ideia de ir até a delegacia pagar fiança, lidar com a polícia e, pior ainda, ter que encarar Glaucia, já fazia Vitória estremecer de culpa e inadequação.

Quando Glaucia ainda fazia parte daquela família, qualquer problema que surgisse era resolvido por ela, com total frieza e eficiência. Vitória nunca soube lidar com essas crises, muito menos agora, tendo que limpar a sujeira de uma nora que era uma vergonha nacional. Ela não queria se expor ao ridículo.

O silêncio de Vitória foi resposta suficiente para Napoleão: — Vá até o Tadeu. Diga a ele que, se ele resolver esse problema direito, eu desbloqueio os cartões e o deixo sair.

O orgulho de Napoleão como patriarca da família não permitia que ele pisasse numa delegacia para mediar uma briga ridícula entre sua nora atual e a ex.

Ela sabia que, por causa da hierarquia familiar, não deveria suspeitar da relação entre sogro e nora. Mas nenhuma nora decente no mundo se atracaria no braço do sogro daquela maneira grotesca.

Por mais que confiasse no marido, a semente da repulsa já havia sido plantada.

Enquanto isso, Hortência já havia sido jogada em uma cela na delegacia, espremida junto com a multidão de parentes da família Galvão.

Ela sequer teve tempo de se trocar, ainda vestia a mesma camisola de seda.

Os parentes da família Galvão já estavam amargando a prisão desde a noite anterior. Assim que viram Hortência, os olhos de todos ficaram injetados de fúria, como se encarassem seu pior inimigo: — Ora, sua vagabunda desgraçada! A gente veio aqui para te defender, e você nos apunhala pelas costas querendo nos destruir? Quer apostar como eu te mato de pancada aqui mesmo?

A voz esganiçada e ameaçadora pertencia à tia Iracema, a mais barraqueira da família.

Com o grito dela, Hortência finalmente reparou que sua própria mãe, Fabiana, estava encolhida em um canto, cobrindo o rosto, obviamente tendo levado uma surra dos outros.

O pai de Hortência estava um pouco melhor, apenas mantendo a cabeça baixa, sem ousar dar um pio.

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