Henrique Xavier brincava com o pequeno Bento na sala de estar. Assim que um dos funcionários avisou sobre a chegada das visitas, ele imediatamente ordenou que a babá levasse a criança para o berçário. Ele definitivamente não queria seu precioso neto perto do seu irmão incompetente. Vai que a inutilidade era contagiosa.
Assim que os dois entraram, Bernardo acertou um chute forte na panturrilha de Vitor. Pego de surpresa, Vitor caiu de joelhos no chão, com um estrondo abafado, contorcendo o rosto de dor.
Henrique, sentado majestosamente em sua cadeira de jacarandá, continuou degustando seu chá, sem qualquer pressa.
— A que se deve tamanha reverência?
Bernardo colocou as caixas de chá caro aos pés do irmão mais velho.
— Henrique, desta vez, você precisa nos ajudar. Salve o Vitor.
— Ele arrumou problema de novo? — perguntou Henrique, impassível.
— Sim... um pequeno problema.
Henrique soltou um riso anasalado.
— Duvido muito que seja pequeno.
Caso contrário, pai e filho não teriam aparecido de forma tão patética em sua porta. Bernardo engoliu o orgulho. Ele era esperto; decidiu omitir completamente a parte em que Vitor dera em cima de Naiara, pulando direto para a situação com Isabella Âncora. Ao terminar de ouvir, a expressão de Henrique permaneceu inalterada, como se tivesse escutado uma anedota boba.
— E daí que ele dormiu com ela? São dois adultos. Resolvam isso de forma civilizada.
Bernardo curvou as costas, tentando parecer humilde.
— Irmão, como acha que devemos resolver isso?
— Vão lá e façam o pedido de casamento — disse Henrique.
Bernardo deu um sorriso amarelo.
— Você só pode estar brincando. O Ricardo Âncora é o homem mais exigente e arrogante da cidade. Acha que ele olharia duas vezes para o Vitor?
Henrique lançou um olhar glacial para o rapaz ajoelhado.
— Pelo menos você tem autoconhecimento.
— Henrique, agora não é hora para sarcasmo. O mais importante é darmos um jeito de varrer isso para baixo do tapete.
Henrique ignorou o irmão e dirigiu-se diretamente a Vitor.
— Diga-me, Vitor. O que você quer fazer?
Vitor o encarou, estúpido.
— Eu... eu não sei.
— Se o Afonso ajudar, com certeza sairemos dessa.
— Vocês dois causaram problemas sem fim ao Afonso ao longo dos anos. Principalmente o Vitor, que sempre tentou bater de frente com ele. O Afonso já está cansado de vocês. A decisão de ajudá-los ou não, caberá a ele e a mais ninguém.
Bernardo era um homem perspicaz e entendeu o recado na hora.
— Henrique, por favor, converse com o Afonso por nós. Se ele nos tirar dessa, o Vitor e eu serei eternamente gratos. Juro que nunca mais vamos contrariá-lo. Se ele mandar ir para o leste, nós nunca iremos para o oeste. Seremos obedientes.
Henrique soltou um leve suspiro.
— Eu tentarei falar com ele.
Depois que os dois saíram da mansão, o mordomo Eduardo voltou à sala.
— Senhor, o Jovem Mestre não teve piedade alguma desta vez.
Os olhos de Henrique escureceram.
— Humpf. Usar um truque tão sujo para forçar o Afonso a se casar com a Isabella... é exatamente o tipo de tática desprezível que a família Âncora usaria.
Baixos e covardes.
— Sim, passaram de todos os limites — concordou Eduardo. — Sorte que o Jovem Mestre percebeu a armadilha a tempo, senão teria caído direitinho. E se a jovem senhora descobrisse, ficaria com o coração despedaçado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...