A teia de mentiras e segredos da família Âncora era tão complexa que Naiara já nem sabia mais quem merecia sua pena.
Tirando Ricardo, parecia que todos ali eram miseráveis.
Todos viviam enclausurados numa teia de enganos tecida por um único homem.
Isabella crescera achando ser a única princesa aos olhos do pai, sem imaginar a existência de um meio-irmão fruto do verdadeiro amor dele.
Fausto passara a vida acreditando ser apenas um peão, um órfão adotado por caridade, sem suspeitar que o homem frio que o criava era, na verdade, do seu próprio sangue.
E a mais patética de todas era Helena.
Lutou lado a lado com Ricardo a vida inteira, construiu metade do império deles, crente de que era o amor da vida dele, dona de um casamento perfeito.
Jamais desconfiou de que o marido encenara o papel de apaixonado por décadas.
Jamais imaginou que o filho que nutriu por vinte anos era o fruto da rival que lhe roubara o coração do marido.
Jamais soube que seu poder havia sido esvaziado e que suas contas estavam praticamente zeradas.
Naiara apoiou o queixo nas mãos, deixando escapar um suspiro involuntário.
— Dizem que a vida na alta sociedade é um mar de segredos, e pelo visto é verdade. As águas dessas famílias bilionárias são turvas e perigosas demais.
Henrique deu um sorriso leve.
— A família Xavier também faz parte dessa alta sociedade, sabia?
Naiara piscou, rindo sem graça.
— Tio, eu não estava falando de nós.
Henrique a olhou com carinho. — A mãe do Afonso e eu fomos amigos de infância. Durante toda a minha vida, ela foi a única mulher que existiu para mim. E, além do Afonso, eu não tenho nenhum outro filho perdido por aí.
Naiara sorriu. — Eu nunca duvidei disso, Tio Henrique.
O tom de Henrique, no entanto, tornou-se solene.
— Naiara, os outros são os outros. A nossa família é a nossa família. Nós não temos essas maquinações sujas. Só quero que você se lembre de uma coisa: Afonso te ama muito. E eu a amo como se fosse minha própria filha.
— Nunca vou permitir que alguém a humilhe. Você nunca estará sozinha. Não importa o que aconteça, jamais a abandonaremos. Estaremos sempre ao seu lado.
Uma onda de calor reconfortante invadiu o peito de Naiara.
— Obrigada, Tio Henrique.
E ela agradecia aos céus, também.
Por ter encontrado um marido como Afonso nesta vida.
Por ter um sogro maravilhoso como Henrique.
E por ter amigos tão incríveis como Fábio, Gualter e tantos outros.
Mas, por fim, deslizou o dedo pela tela.
A voz de Ricardo não carregava um pingo de emoção.
— Volte para casa agora.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, a ligação foi cortada.
Isabella respirou fundo, puxando o ar repetidas vezes.
Só quando sentiu que estava minimamente estável é que deu a partida no carro novamente.
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O último vestígio de calor do sol se dissipou, e a luz do dia morreu por completo. A noite densa e escura envelopou a cidade.
Em um camarote de boate, um homem de meia-idade agarrava uma garota de programa, aproveitando-se dela, quando a porta foi subitamente escancarada.
Um homem invadiu o ambiente, indo direto na direção dele. Sem dizer uma palavra, começou a esmurrá-lo.
Os dois outros engravatados presentes assistiam à cena em choque, sem ousar respirar.
Qualquer um com meio cérebro via que o invasor sabia bater. Quem tentasse intervir, ia sobrar.
O homem apanhava até o rosto inchar, incapaz de reagir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...