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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1166

Isadora desviou o olhar das costas de Fábio que se afastavam.

Ao se virar, bateu de frente contra um peito largo.

O perfume familiar invadiu suas narinas, mas não trouxe a menor sensação de conforto.

Sua cintura foi apertada com força, arrancando-lhe um grunhido de dor.

Carlos abaixou a cabeça e sussurrou em seu ouvido, em tom de zombaria:

— O quê? Um Afonso não foi o bastante? Ainda pensa no ex-marido?

Isadora não deixou barato e deu um beliscão na lateral do corpo dele.

— E quem disse que penso só nos dois? Penso em muitos homens. Se for bonito, eu quero.

O rosto de Carlos endureceu.

— Tá a fim de morrer?

Mas, de repente, Isadora mudou o rumo da conversa.

— Carlos, vamos viajar?

Ele hesitou.

— Viajar?

— É. A gente casou, mas só temos a certidão. Mais nada. Essa viagem pode ser a nossa lua de mel.

Carlos deu um sorriso enviesado, quase sem humor.

— Nós dois? Precisamos de lua de mel?

Isadora inclinou a cabeça, forçando um sorriso simpático.

— Eu sei que não significo nada pra você. Sei que, quando você estava no fundo do poço, sendo odiado por todo mundo, eu fui apenas uma companhia conveniente que cruzou o seu caminho. Mas não me trate como se eu fosse descartável. Se fizer isso, eu peço o divórcio.

Carlos não sabia o motivo, mas a palavra "divórcio" lhe soava incrivelmente repulsiva.

— Para onde você quer ir?

Isadora olhou para o céu escuro da noite.

— Qualquer lugar.

Qualquer lugar que a afastasse temporariamente de Rio Belo.

Ir para uma cidade desconhecida, mudar de ambiente.

Talvez isso pudesse restaurar um pouco da paz de espírito.

Rio Belo.

Aquela cidade deslumbrante e sedutora.

Mas que lhe causara tanto sofrimento.

Ela estava cansada daquele lugar.

— Você pedir pra viajar comigo agora, do nada, não é só para espairecer, é? — questionou Carlos.

Isadora deu um riso seco.

— Realmente. Tem outro motivo.

— Então pronto.

— Mas você defendendo os homens do seu passado bem na minha cara... me faz sentir como um marido que ostenta um belo par de chifres.

Isadora o empurrou devagar.

— Isso é trauma de quando a sua ex-cunhada te botou chifre, né?

O olhar de Carlos gelar instantaneamente.

— Dá pra parar de desenterrar essas coisas do passado?!

Surpreendentemente, Isadora recuou.

— Desculpe.

Carlos piscou, confuso. — Você? Pedindo desculpas?

Foi a primeira vez que Isadora tentou ser razoável com ele.

— Eu não quero que você se envolva na briga daquelas duas famílias. Primeiro, porque não quero que a nossa vida, que finalmente está tranquila, vire um inferno.

— Segundo, porque acho que não deveríamos ficar remoendo o que passou. A vida é pra frente. Se a gente ficar estagnado, se afogando nos erros do passado, que sentido tem viver?

Ela respirou fundo e o encarou com firmeza.

— Carlos.

— Vou te dizer isso apenas uma vez. E será a última.

— Eu não tenho mais nenhum apego emocional nem pelo Afonso, nem pelo Fábio. Pra mim, eles foram apenas lições. Aulas duras da vida. Um tapa na cara bem dado. A existência deles agora só serve para me lembrar de não cometer os mesmos erros. De não me agarrar àquilo que não me pertence.

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