Isadora desviou o olhar das costas de Fábio que se afastavam.
Ao se virar, bateu de frente contra um peito largo.
O perfume familiar invadiu suas narinas, mas não trouxe a menor sensação de conforto.
Sua cintura foi apertada com força, arrancando-lhe um grunhido de dor.
Carlos abaixou a cabeça e sussurrou em seu ouvido, em tom de zombaria:
— O quê? Um Afonso não foi o bastante? Ainda pensa no ex-marido?
Isadora não deixou barato e deu um beliscão na lateral do corpo dele.
— E quem disse que penso só nos dois? Penso em muitos homens. Se for bonito, eu quero.
O rosto de Carlos endureceu.
— Tá a fim de morrer?
Mas, de repente, Isadora mudou o rumo da conversa.
— Carlos, vamos viajar?
Ele hesitou.
— Viajar?
— É. A gente casou, mas só temos a certidão. Mais nada. Essa viagem pode ser a nossa lua de mel.
Carlos deu um sorriso enviesado, quase sem humor.
— Nós dois? Precisamos de lua de mel?
Isadora inclinou a cabeça, forçando um sorriso simpático.
— Eu sei que não significo nada pra você. Sei que, quando você estava no fundo do poço, sendo odiado por todo mundo, eu fui apenas uma companhia conveniente que cruzou o seu caminho. Mas não me trate como se eu fosse descartável. Se fizer isso, eu peço o divórcio.
Carlos não sabia o motivo, mas a palavra "divórcio" lhe soava incrivelmente repulsiva.
— Para onde você quer ir?
Isadora olhou para o céu escuro da noite.
— Qualquer lugar.
Qualquer lugar que a afastasse temporariamente de Rio Belo.
Ir para uma cidade desconhecida, mudar de ambiente.
Talvez isso pudesse restaurar um pouco da paz de espírito.
Rio Belo.
Aquela cidade deslumbrante e sedutora.
Mas que lhe causara tanto sofrimento.
Ela estava cansada daquele lugar.
— Você pedir pra viajar comigo agora, do nada, não é só para espairecer, é? — questionou Carlos.
Isadora deu um riso seco.
— Realmente. Tem outro motivo.
— Então pronto.
— Mas você defendendo os homens do seu passado bem na minha cara... me faz sentir como um marido que ostenta um belo par de chifres.
Isadora o empurrou devagar.
— Isso é trauma de quando a sua ex-cunhada te botou chifre, né?
O olhar de Carlos gelar instantaneamente.
— Dá pra parar de desenterrar essas coisas do passado?!
Surpreendentemente, Isadora recuou.
— Desculpe.
Carlos piscou, confuso. — Você? Pedindo desculpas?
Foi a primeira vez que Isadora tentou ser razoável com ele.
— Eu não quero que você se envolva na briga daquelas duas famílias. Primeiro, porque não quero que a nossa vida, que finalmente está tranquila, vire um inferno.
— Segundo, porque acho que não deveríamos ficar remoendo o que passou. A vida é pra frente. Se a gente ficar estagnado, se afogando nos erros do passado, que sentido tem viver?
Ela respirou fundo e o encarou com firmeza.
— Carlos.
— Vou te dizer isso apenas uma vez. E será a última.
— Eu não tenho mais nenhum apego emocional nem pelo Afonso, nem pelo Fábio. Pra mim, eles foram apenas lições. Aulas duras da vida. Um tapa na cara bem dado. A existência deles agora só serve para me lembrar de não cometer os mesmos erros. De não me agarrar àquilo que não me pertence.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...