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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1198

Após a simples e comovente cerimônia de despedida, Quitéria partiu definitivamente deste mundo.

Ela estava deslumbrante no vestido de noiva, usando o anel de diamantes que Gualter lhe dera e o colar que Naiara escolhera meticulosamente.

Partiu linda. Mais linda do que jamais fora em toda a sua vida.

O trágico era que ela não podia se ver assim. Aquela garota, que fora tratada como covarde e submissa a vida toda, escolheu a bravura destemida nos seus momentos finais.

Naiara deu por si refletindo que, no fundo, talvez a bondade extrema não fosse uma qualidade. Ser bom demais fazia com que as pessoas se esquecessem do próprio valor.

Naiara comprou um lote no cemitério para Quitéria, bem ao lado do túmulo de sua mãe biológica.

Assim, com a mãe por perto, ela não se sentiria sozinha.

O céu já havia escurecido, as nuvens pesadas prenunciavam chuva. Todos os convidados foram embora.

Mas Gualter se recusava a sair do lado do túmulo.

— Quero ficar mais um pouco com ela. Eu quase não tinha tempo para ficar com ela, e no futuro vou estar tão ocupado que terei menos tempo ainda.

Naiara também ficou.

Pedro quis fazer companhia, mas a irmã mandou-o voltar para casa.

A chuva desabou do céu repentinamente.

Naiara abriu o guarda-chuva e sentou-se na pedra ao lado de Gualter.

Ele acariciou a fotografia gravada na lápide, a voz rouca, quase inaudível.

— Eu deveria ter tirado mais fotos dela. Não tenho uma única foto no celular.

— Parando pra pensar... Eu fui um péssimo namorado.

— Vivia zoando e brigando com ela. Nunca disse uma palavra doce, um elogio de verdade...

— Eu não deveria ter ficado rindo da cara dela por ser medrosa...

Naiara encostou o corpo firmemente no dele. Queria, com aquele gesto, oferecer-lhe pelo menos um pingo de calor. Um apoio num momento em que o chão havia sumido.

Ela sabia que conselhos agora seriam inúteis. Ele não estava em estado de ouvir nada.

— Gualter, me desculpe...

Gualter pegou o guarda-chuva das mãos dela e o segurou.

— Pode falar.

— Eu sei da culpa que você sente, da dor que está te destruindo. Sei que você vai passar um tempo muito, muito longo se arrependendo e se torturando.

— Mas eu não quero que você faça isso. E a Quitéria também não. Ela ia querer que nós ficássemos bem. Só assim ela poderá partir em paz.

Naiara não respondeu.

Porque ela sabia que jamais conseguiria cumprir aquela promessa.

A morte de Quitéria era, sim, responsabilidade dela. E a dor... a dor era tão absoluta que, mesmo sem lágrimas, ela sentia o corpo em pura agonia anestesiada.

Os dois ficaram ali, sentados lado a lado, escorados um no outro.

A chuva caía com cada vez mais fúria, como se o céu chorasse em luto pela menina pobre e boa.

A água encharcou metade do corpo de Gualter, gélida como o seu próprio coração.

Gelada até os ossos.

A partir daquele dia, faltaria algo no mundo dele para sempre.

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