Ela não tinha esquecido.
Como poderia esquecer?
Era só que... parecia irreal demais...
O mundo ao seu redor girou violentamente. De repente, uma escuridão tomou conta, e Naiara desmaiou.
Antes de atingir o chão, sentiu um par de braços fortes segurá-la com firmeza.
Seu corpo foi erguido no ar e carregado rapidamente. Em meio ao torpor, ela escutou vagamente uma voz chamando por um nome estranho.
— Aurora!
...
O impasse de vida ou morte terminou como uma farsa melodramática, esvaziando-se assim que a multidão foi embora.
Quem poderia imaginar que a simples nora da família Xavier seria, na verdade, a filha do Comandante Supremo do Comando Militar do Sul?
Ricardo Âncora estava espumando de raiva. Mas não tinha escolha a não ser engolir a derrota.
Com as forças militares e o governo local unindo-se contra ele na mesma noite, a situação se tornara crítica.
A mente de Ricardo reprisava a expressão de nojo no rosto do Prefeito Rubens antes de partir. E o olhar de Magnus... Embora o general não tivesse dito muito, aqueles olhos cortantes como navalhas já diziam tudo o que ele precisava saber.
O ódio crescia incontrolável dentro do peito de Ricardo. Com um grito gutural, ele virou a mesa pesada ao seu lado.
As porcelanas raras e caríssimas espatifaram-se no chão, transformando-se em pó.
Os empregados, paralisados de pavor, ainda tentavam processar a cena absurda que acabaram de testemunhar. Eles tinham certeza de que Naiara jamais sairia viva daquela mansão hoje.
Em vez disso, ela saiu não apenas ilesa, mas com uma glória sem precedentes. Em toda a história de Rio Belo, ninguém jamais teve o privilégio de ser escoltado pessoalmente pelo Prefeito e por um General de Exército.
Ricardo, que acreditava controlar o tabuleiro como um deus, foi reduzido a uma piada. A um palhaço!
Como ele poderia aceitar aquilo?
Sem conseguir se conter, Ricardo agarrou um de seus capangas e descarregou sua fúria, desferindo socos como se fossem pancadas de chuva.
Só parou quando viu Fausto se aproximando.
Fausto chegou de cadeira de rodas. Seus ferimentos ainda levariam muito tempo para cicatrizar, e ele precisava de repouso absoluto. Mas não conseguia encontrar paz.
Sua mãe, que fora transferida do hospital para casa, agonizava num dos quartos, presa por um fio de vida, apenas esperando o abraço da morte. E sua irmã estava desaparecida.
Sua irmã...
Fausto riu com escárnio de si mesmo. Ele sempre achou que fosse apenas o filho adotivo da família Âncora, que não compartilhava o mesmo sangue que Isabella. Por isso, havia se permitido nutrir sentimentos proibidos por ela.
No fim das contas... tudo era uma mentira.
Uma teia de mentiras cuidadosamente tecida pelo homem que ele chamava de pai.
Fausto não sabia mais se devia sentir ódio ou gratidão. O homem com quem ele vivera sob o mesmo teto por mais de vinte anos subitamente parecia um completo estranho.
Ricardo tentou conter seu temperamento explosivo.
— Eu não disse para você ficar descansando no seu quarto? O que está fazendo aqui?
Fausto olhou para a poça de sangue escuro no chão. Era o sangue de José.
Ele havia assistido a tudo. Jamais imaginou que Naiara teria a coragem de aparecer. E menos ainda que ofereceria a própria vida para salvar a de um subordinado.
Para Fausto, aquilo beirava o delírio. Na família Âncora, coisas assim nunca aconteceriam. Empregados eram peças descartáveis; se morressem, eram rapidamente substituídos.
Desde pequeno, Ricardo lhe ensinara que o ser humano deve ser egoísta, movido apenas pela ganância e pela autopreservação. Morrer por um mero criado? Inconcebível.
Diante daquela cena, Fausto sentiu-se completamente perdido em relação aos sentimentos humanos.
— Pai, vamos parar com isso — pediu Fausto, com a voz embargada.
A fúria que Ricardo tentava suprimir ressurgiu com força total.
— Parar com o quê?!
Fausto parecia mentalmente esgotado.
— Tudo o que estamos fazendo agora... essa guerra, essa vingança... não era só porque não suportávamos a humilhação do rompimento do noivado? O noivado já acabou. A sua fúria já teve palco suficiente. Por que não desistimos e deixamos isso para lá?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...