Como Afonso poderia retribuir uma dívida daquelas?
— Sr. Afonso, é sério. Não carregue nenhum peso na consciência. O que eu fiz foi puramente por sermos amigos, não houve outra intenção.
Afonso manteve os lábios cerrados, a expressão indecifrável.
Uma dor aguda fez Isadora franzir a testa. Suportando o desconforto, ela olhou para Naiara.
— Obrigada por ficar aqui comigo.
Naiara quase não sabia o que dizer.
— A cirurgia acabou de terminar. O seu corpo está muito fraco. Descanse bastante.
— Hum... eu estou com muito sono mesmo. Quero dormir mais um pouco.
Lembrando-se das recomendações médicas, Naiara alertou:
— O médico avisou que você não pode dormir pelas próximas duas horas. Aguente firme.
Isadora fechou os olhos.
— Tudo bem, então vou só ficar de olhos fechados sem dormir.
Fechando os olhos, ela conseguiria evitar olhar para ele.
Logo alguém bateu à porta e entrou.
— Com licença, foi daqui que pediram um acompanhante?
A voz de Afonso soou um pouco mais grave.
— Eu vou descer para comprar algumas coisas que você vai precisar durante a internação. O cuidador ficará aqui com você.
Isadora, ainda de olhos fechados, apenas murmurou um "uhum".
Afonso instruiu o cuidador:
— Cuide bem dela. Fique atento a qualquer mudança. Se houver qualquer problema, chame o médico imediatamente.
O cuidador notou o tom apreensivo dele e tentou acalmá-lo.
— Pode ficar tranquilo. Tenho mais de dez anos de experiência nessa área. Nada vai dar errado.
Afonso deu alguns passos em direção à saída, mas de repente se virou para olhar para Naiara.
Entendendo o recado, Naiara se levantou apressada para acompanhá-lo.
Afinal, tratava-se de itens básicos para Isadora, e era provável que Afonso não fizesse a mínima ideia do que comprar.
Por isso, Naiara foi com ele.
No entanto, Afonso não foi direto comprar as coisas. Ele perguntou a ela:
— Pode se sentar comigo um pouco?
Na verdade, ela estava remoendo aquela questão desde o exato momento do ataque.
Mas, como a situação de Isadora ainda era incerta, preferira não comentar nada.
Agora já podiam falar a respeito.
— Há algumas coisas que não se encaixam.
— Primeiro: a Adriana já estava trancafiada pelo Carlos Lucca num hospital psiquiátrico faz tempo. Levando em conta o ódio que o Carlos sente por ela, ele jamais a deixaria sair. Então, como ela escapou? Alguém a soltou de propósito ou ela fugiu sozinha?
— Segundo: como ela sabia que hoje era o aniversário do seu pai e conseguiu chegar tão certeira até aquele local?
— E, por último.
Esse era o detalhe mais importante e crucial.
— Na mente da Adriana, a pessoa que ela mais odeia sou eu. Se ela quisesse matar alguém, eu seria o alvo principal.
— Mas eu estava parada bem ali e ela não me atacou. Ela mirou direto em você.
Aquilo era atípico demais.
O olhar de Afonso era cortante como o de uma águia, como se pudesse enxergar até as entranhas da alma de alguém.
— A resposta é simples. Antes de aparecer, alguém fez uma lavagem cerebral nela. Disseram-lhe que, se ela está na miséria, toda a culpa é minha.
E foi por isso que ela foi atrás dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...