Henrique endireitou a postura na cadeira e continuou:
— Você está desesperado por poder. Consolidou conexões, fez com que toda a rede de influência gravitasse em torno de você e até transformou antigos inimigos da família Xavier em aliados estratégicos.
Ele cruzou os braços.
— Meu palpite é que você quer o controle absoluto. Quer ser o rei incontestável.
E, para a sua surpresa, Afonso não negou.
— Sim.
— E depois que tiver o controle absoluto? — provocou Henrique. — O que pretende fazer?
Afonso permaneceu em silêncio.
Henrique soltou uma risada fria.
— Você quer cancelar o noivado para se casar com ela, não é?
Os olhos de Afonso escureceram.
— O senhor está se preocupando à toa.
A agressividade no rosto de Henrique desapareceu, dando lugar a uma expressão cansada, quase nostálgica.
Sobre a mesa do escritório, repousava um porta-retratos com uma foto de família, onde brilhava o rosto de uma mulher dona de uma beleza serena.
A mãe de Afonso.
Henrique tocou o vidro do porta-retratos com a ponta dos dedos e disse, a voz arrastada:
— Afonso, você é o meu filho. Meu único filho. Passei a sua vida inteira te treinando para ser um herdeiro à altura. Eu te conheço melhor do que você mesmo.
Ele ergueu o olhar.
— Acha que eu não saberia o que você planeja?
— Nesses últimos meses, você derramou todo o seu sangue pelos negócios da família. Não dorme, não come, está definhando. E tudo isso para quê? Para tentar usurpar o meu poder a todo custo e ter força para me desafiar.
Ele bateu na mesa.
— Mas você já parou para pensar que eu nunca fui o seu inimigo?
— Seus verdadeiros inimigos são as hienas que cobiçam o patrimônio dos Xavier. São aqueles que tentam rachar a família por dentro. São aqueles que rezam para te arrancar desse cargo e te ver morrer sem nem ter onde cair morto.
Henrique o encarou com fúria contida.
— Você realmente vai sacrificar toda a família Xavier por causa de um desejo egoísta?
Afonso manteve o rosto impassível, mas um abismo de emoções revolvia-se na profundeza dos seus olhos negros.
Os herdeiros da família Xavier sangravam, mas nunca choravam.
Quanta dor um homem feito de aço precisava guardar no peito para finalmente desmoronar e chorar?
Henrique recuou um passo, a alma tremendo ao ver o filho naquele estado.
— Pai, você disse uma coisa errada — a voz de Afonso soou rouca, mas sua coluna estava reta como uma espada encravada na terra.
— Eu nunca quis te desafiar, nem usurpar o seu poder. Tudo o que eu fiz, o poder que busquei... foi apenas para que as minhas asas ficassem fortes o bastante. Fortes o suficiente para não temer nenhuma ameaça. Fortes o bastante para proteger você e para proteger a mulher que eu amo.
— Pai.
A forma como ele o chamou, firme, mas carregada de angústia, cortou o ar.
— Desde que eu era pequeno, fiz tudo o que você mandou. Estudei o que mandou estudar, tornei-me exatamente a máquina perfeita que você queria que eu fosse.
— Mas eu não sou feliz. Eu nunca fui feliz.
Ele engoliu a seco, a voz embargada.
— Foi só quando a conheci, há dez anos, que descobri o significado da palavra felicidade. Foi ela quem me ensinou a rir de verdade. Foi por causa dela que passei a querer conversar com as pessoas. A existência dela mudou a minha vida.
Henrique arregalou os olhos, atônito.
— Vocês... vocês se conhecem há dez anos?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...