Naquele momento, ele só queria beijá-la.
A mulher pela qual ansiava dia e noite, finalmente, estava em seus braços novamente.
Naiara foi beijada com tanta intensidade que ficou ofegante, quase sem ar.
— Hum... Afonso... eu vou sufocar.
Foi só então que os lábios de Afonso se afastaram, repletos de relutância. Imediatamente, seu olhar desceu e ele notou que ela estava descalça.
A repreensão veio cheia de preocupação, mas com um tom macio como água.
— Por que está sem chinelo de novo?
Naiara tocou o próprio rosto, que estava ardendo de calor.
— Eu esqueci.
Assim que as palavras saíram de sua boca, ela sentiu seu corpo ser erguido no ar. Grávida de oito meses, seu peso havia aumentado consideravelmente, mas Afonso a carregava como se ela não pesasse nada.
Naiara não resistiu à curiosidade.
— Você tem malhado todo dia ultimamente?
— Sim — respondeu ele. — Por mais ocupado que eu esteja, arrumo um tempo para a academia.
Naiara se lembrou de uma antiga conversa sobre o físico dele.
— Ainda é por causa do tanquinho?
— Não. É porque eu tinha medo de não conseguir te carregar quando chegasse a hora do parto.
O coração de Naiara se desfez por inteiro. Como aquele homem conseguia dizer coisas tão românticas de um jeito tão natural e cotidiano?
Afonso a colocou na cama com extremo cuidado. Em seguida, tirou o paletó e as calças e se enfiou debaixo das cobertas com ela. Sem o menor pudor, ali mesmo, na frente dela, restando apenas a cueca...
Naiara continuou recostada nos travesseiros enquanto Afonso, com a delicadeza de quem toca algo frágil, encostou o ouvido em sua barriga por um longo tempo. De repente, o bebê deu um chute. Afonso deu um pulo para trás, assustado.
Vendo a expressão dele, misto de apreensão e deslumbramento infantil, Naiara sentiu vontade de rir e, ao mesmo tempo, de chorar.
— Ele mexeu — disse ela, sorrindo.
Afonso pousou a palma da mão grande sobre a barriga redonda.
— Esse garotão com certeza vai ser muito bagunceiro.
Naiara, no entanto, tinha perguntas mais urgentes em mente.
— Como você veio parar aqui tão tarde da noite?
Quanto a como ele sabia onde ela estava, isso nem precisava ser perguntado. Com Gualter atuando como um espião infiltrado, descobrir o paradeiro dela era a tarefa mais fácil do mundo para Afonso.
O sorriso não abandonava os lábios dele.
— Eu realmente não estava mais aguentando, Naiara. Você sabe como eu sobrevivi a esses últimos meses? Inúmeras vezes eu quis te ligar, inúmeras vezes quase dirigi até você. Eu segurei a onda até não dar mais. Quando a pressão ficava insuportável, eu ia atrás do Cícero e do Fábio.
— Obrigava os dois a vestirem as luvas e irem para o tatame lutar comigo. — Ele soltou uma risada baixa. — Hoje em dia, só de me verem de longe, os dois tentam fugir.
Imaginando a cena patética dos dois amigos apanhando, Naiara acabou rindo.
— Devem ter sofrido horrores na sua mão.
— Eu é que fui o maior sofredor dessa história — retrucou ele, com uma falsa indignação. — Querer te ver e não poder... Você não faz ideia do quanto foi difícil me segurar!
— Mas você já me viu agora.
— Sim, já vi.
— Então já pode ir embora.
— Eu vou. Mas só depois que você dormir.
O coração de Naiara deu um sobressalto dolorido e ela mordeu o lábio. Mas logo ele continuou:
— Antes do amanhecer, eu preciso sair daqui. Não posso deixar que ninguém descubra que vim te ver, ou isso pode te colocar em risco. Só te peço um pouco mais de tempo. Muito em breve... eu vou poder caminhar até você à luz do dia, para todo mundo ver.
Um pressentimento sombrio começou a tomar conta de Naiara.
— Afonso, o que exatamente você está planejando fazer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...