Apesar do choque, Henrique precisava admitir: a presença de espírito daquela garota era formidável.
Sua resiliência psicológica não era comum.
Naiara prosseguiu com a mesma serenidade.
— Afonso me contou sobre a situação da mãe da Srta. Isabella. Já imaginei que o motivo da visita do senhor hoje fosse exatamente esse.
Já que as cartas estavam na mesa, Henrique foi direto ao ponto.
— Sim, estou aqui por causa disso.
— E o que o senhor espera que eu faça dessa vez? — indagou Naiara.
Henrique lançou um olhar para a barriga já proeminente de Naiara e, de repente, sentiu uma pontada de remorso.
— A mãe da Isabella tem, no máximo, seis meses de vida...
— Eu sei.
— Se o Afonso propuser o rompimento do noivado neste momento, será moralmente e emocionalmente imperdoável.
— De fato. Além de manchar permanentemente a reputação do Afonso. A sociedade o tachará de homem sem coração e cruel.
Henrique tomou um gole do chá.
Era um chá Pu-erh de altíssima qualidade.
O sabor inicial era forte, mas logo dava lugar a um retrogosto doce e revigorante que inundava o paladar.
— Exatamente. Por isso, eu não quero que o Afonso toque no assunto do rompimento agora.
Naiara permaneceu em silêncio por um momento, absorvendo as palavras.
— Gostaria de fazer uma pergunta e espero que me dê uma resposta honesta.
— Diga.
— O senhor concorda com o meu relacionamento com o Afonso?
Henrique pigarreou, ligeiramente desconcertado, e desviou o olhar para Eduardo.
Eduardo interveio com um sorriso bondoso:
— Srta. Naiara, o Patrão já decidiu não interferir mais nisso. Você não percebeu?
— Ontem eu discuti o rompimento do noivado com o Afonso — retomou Henrique. — Mas ele se recusa a esperar que a situação da Senhora Helena termine. Ele quer romper o noivado oficialmente antes que você dê à luz.
— No entanto, neste momento delicado, toda cautela é pouca. O rompimento em si já é um escândalo. Fazer isso agora, enfurecer a Senhora Helena e agravar seu estado clínico, faria com que a família Âncora declarasse guerra a nós. Eles jamais deixariam isso barato.
— É por isso que vim lhe pedir que convença o Afonso a esperar.
— Obviamente, eu compreendo os seus sentimentos também, mas as ramificações deste assunto são colossais, então...
Naiara sequer hesitou.
— Tudo bem. Eu prometo ao senhor que o convencerei.
Assim que as palavras saíram de seus lábios, e Henrique abriu a boca para agradecer, a porta do escritório foi escancarada com violência.
A figura alta e imponente do homem invadiu a sala. Elegante como sempre, mas com o rosto transfigurado pela fúria e pelo desespero.
Provavelmente por ter corrido feito um louco, gotas de suor escorriam de sua testa pelas bochechas esculpidas.
A primeira coisa que saiu de sua boca, entre respirações ofegantes, foi uma cobrança desesperada.
— O que você prometeu a ele?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...