Naiara enterrou o rosto contra o peito de Afonso, tomada pela vergonha.
José carregava um amontoado de caixas de presentes nos braços, congelado no meio da sala sem saber se recuava ou se avançava.
— Bem, hã... Jovem mestre... O que eu queria dizer é...
Afonso lançou a ele um olhar preguiçoso e impaciente.
— Fale. Com calma.
José engoliu em seco ruidosamente.
— O que eu queria dizer é que o Patrão trouxe muitos presentes para a Srta. Naiara. Quando percebi que a Quitéria não ia dar conta de carregar tudo sozinha, resolvi ajudá-la e...
Ele olhou ao redor.
— Ué, cadê a Quitéria?
Eles não tinham acabado de entrar juntos no andar?
Afonso riu pelo nariz, com uma dose de ironia.
— Ela, ao contrário de você, tem senso de oportunidade e foi embora faz tempo.
José abriu um sorriso amarelo, tentando se justificar.
— Da próxima vez eu prometo bater na porta! Não, minto! Da próxima vez que o senhor e a Srta. Naiara estiverem sozinhos num recinto, eu passarei quilômetros de distância.
— Deixe as caixas aí no canto — ordenou Afonso. — À noite, eu mesmo levarei tudo para o Residencial Perfume.
O sorriso de José ganhou um tom malicioso.
— Jovem mestre, como assim você vai à noite para o Residencial Perfume? Vai dormir na casa da Srta. Naiara hoje?
— Não vou dormir lá. Mas hoje bateu uma vontade incontrolável de comer a comida da Felícia.
— Ata, sei! Vontade da comida da Felícia... Você só quer ficar colado na Srta. Naiara. Quer um conselho? Mude-se de vez para o Residencial Perfume, assim você não perde tempo nesse bate e volta.
— Rua.
José percebeu que o humor do patrão estava excepcionalmente bom e saiu rindo.
— É pra já!
Quando chegou à porta do corredor, no entanto, ele colocou a cabeça para dentro da sala mais uma vez.
— Jovem mestre, só uma dúvida: a partir de hoje eu já devo chamá-la de senhora Xavier?
Senhora?
Os lábios de Afonso curvaram-se em um sorriso genuíno e satisfeito.
Aquele título lhe soava como música.
Naiara desvencilhou-se dos braços de Afonso e olhou profundamente nos olhos dele, assumindo uma postura séria.
— Afonso, precisamos conversar sobre um assunto sério.
Afonso franziu as sobrancelhas, soando terrivelmente ofendido.
— Você adora jogar sujo porque sabe exatamente o que me apavora.
Naiara deu de ombros, divertida.
— E o que você queria que eu fizesse? Meu futuro sogro bateu à minha porta pessoalmente. Se eu não fizer a vontade dele, como vou conseguir lidar com ele no futuro? Preciso puxar o saco do sogrão desde já para garantir a minha paz.
O homem permaneceu calado por um longo tempo, a angústia pesada se dissolvendo lentamente em seus olhos até restar apenas um sorriso resignado.
— E se eu fizer o que você quer, qual será a minha recompensa?
Naiara ergueu o queixo dele com a ponta do dedo indicador.
— Permitirei que você passe a noite lá em casa. Que tal?
Afonso travou.
— Eu fiz minhas pesquisas. Não é recomendado ter relações sexuais nos primeiros três meses e nos últimos três meses da gravidez.
Como um homem com necessidades perfeitamente normais, ele já estava se privando há muito tempo, e não estava sendo nada fácil.
Só ele sabia do tamanho do desejo ardente que sentia por ela.
Se ele acabasse na mesma cama que ela, temia perder o pouco autocontrole que lhe restava.
Naiara piscou, surpresa por um instante, e então não aguentou mais. Ao ver a expressão séria dele ao vomitar fatos médicos, ela caiu na gargalhada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...