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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 936

O olhar de Afonso era de uma frieza cortante.

— Me chamar de cunhado a esta altura não vai resolver o seu lado.

Pedro abaixou a cabeça, derrotado.

— Irmã...

Naiara estendeu a mão aberta. — Me entregue os cartões.

— Que cartões? — Pedro piscou, confuso.

— Todos os seus cartões de crédito e débito.

Pedro gelou.

— Mas como é que eu vou viver?

— A partir de amanhã, você vai se apresentar na empresa. O expediente é das nove às cinco, sem atrasos e sem saídas antecipadas. A empresa vai te pagar o salário em dia, e isso terá que ser suficiente para as suas despesas do mês.

— O quê?! — Pedro reagiu com total relutância. — Viver só do salário? Eu vou passar necessidade! E se eu quiser convidar uns amigos para comer alguma coisa?

Naiara não estava com paciência para negociar.

— Ou você faz exatamente o que eu estou mandando, ou nunca mais me procure. Eu lavo as minhas mãos com você.

Pedro não ousou dar um pio a mais. Correu para buscar a carteira, arrancou todos os cartões e os entregou nas mãos de Naiara.

— A chave do carro também. — exigiu ela.

O garoto arregalou os olhos.

— A chave do carro também?! Então como é que eu vou pro trabalho?

— Vai de ônibus.

— De ônibus?! — Pedro achou que tinha ouvido mal. — Irmã! Como eu vou pegar ônibus? Eu nunca andei nesse negócio na minha vida! Eu ainda sou o jovem mestre da família Jasmim. Me mandar andar de ônibus... Isso é um absurdo!

Naiara continuou com a mão estendida. — Vai entregar ou não?

— Irmã, eu te imploro... — choramingou Pedro. — Deixa o carro comigo. Eu já te dei todos os cartões!

— E você acha que vai dirigir um carro esportivo de luxo para trabalhar como estoquista de armazém?

— Mas o cunhado não disse que esse cargo era de gerência alta? Qual o problema de ir de carro esportivo?

No canto, Breno virou o rosto para disfarçar, tentando segurar a risada.

Que garoto idiota.

Ele não fazia a menor ideia do que um estoquista fazia. A história lembrava o Rei Macaco, que foi nomeado 'Cuidador de Cavalos' pelo Imperador de Jade e, ao descobrir a humilhação do cargo, se rebelou contra os céus. Breno mal podia esperar para ver se esse moleque também faria um escândalo quando descobrisse o que era gerenciar um estoque de logística.

Naiara só então lembrou que Pedro não tinha ideia da realidade do cargo e por pouco não deixou escapar a verdade.

Afonso tomou a frente: — A empresa tem um carro. Podemos emprestar para você.

Ele a ajudou a se levantar e segurou a mão dela.

— Naiara! — Luciana a chamou às pressas. — Você... vai estar presente no dia do meu julgamento?

Naiara hesitou por alguns segundos. — Veremos.

Luciana queria dizer mais alguma coisa, mas se conteve.

'Veremos' significava que ainda havia esperança. Era infinitamente melhor do que um 'não'.

— Naiara, espere só um minuto.

Luciana correu para dentro e voltou logo depois segurando três sacolas de papel luxuosas.

Naiara reconheceu a logomarca imediatamente. Era de uma das grifes mais exclusivas de artigos para bebês.

— Eu comprei isso para o bebê. Aceite, por favor. Se eu for presa, não terei mais a chance de comprar nada, mesmo que eu queira.

Foi a primeira vez que Naiara viu a palavra 'humildade' estampada no rosto de Luciana.

Ela hesitou se devia aceitar.

Mas Afonso pegou as sacolas por ela e respondeu com um simples: — Obrigado.

Luciana ficou surpresa, mas seus olhos brilharam de gratidão.

— Sr. Afonso, deixo a Naiara em suas mãos. E quanto ao Pedro... se ele fizer qualquer besteira, pode bater e repreender à vontade.

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