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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 999

Quitéria hesitou um pouco antes de responder: — Um... um conterrâneo meu me arranjou um encontro às cegas com um rapaz da cidade vizinha à nossa. Eu quero ir conhecê-lo, mas é o meu primeiro encontro assim. Não sei muito bem o que fazer ou dizer quando nos virmos.

Naiara ficou surpresa.

— Você vai a um encontro às cegas?

— Sim. Eu quero tentar... quem sabe essa pessoa não é a certa para mim.

Naiara lançou um olhar rápido na direção de Gualter. O sujeito estava jogando dados com Breno e José, alheio a tudo. Ela se perguntou o que ele pensaria se soubesse do encontro.

— Você já superou? — Naiara perguntou suavemente.

Quitéria continuou de cabeça baixa, exalando insegurança.

— Eu pensei muito sobre isso. O fato de eu gostar do Gualter é como desejar algo completamente fora do meu alcance. Ele é tão capaz, e eu sou só do setor de apoio. É natural que ele não tenha olhos para mim.

Naiara suspirou baixinho.

— Não é que ele não tenha olhos para você. Ele tem um bloqueio emocional. Ele não quer saber de relacionamentos amorosos ou casamento tão cedo.

— Eu acho que não é isso — Quitéria balançou a cabeça. — Ele não quer saber disso agora porque ainda não encontrou alguém que realmente ame. Se um dia cruzar com uma mulher inesquecível, ele vai abrir o coração para o amor e o casamento de novo.

Naiara ficou em silêncio.

Fazia sentido. Ela mesma era a maior prova disso. Após se divorciar de Carlos Lucca, havia jurado que nunca mais se envolveria ou casaria. Até conhecer Afonso, e todas as suas certezas desmoronarem.

Será que Gualter realmente não tinha nenhum interesse romântico por Quitéria?

Se fosse o caso, ela não deveria mais tentar juntar os dois.

Enquanto chacoalhava os dados, Gualter subitamente olhou para Quitéria. Ele não conseguia ouvir o que ela dizia a Naiara, mas a expressão dela estava estranha. Ela parecia triste.

Como se movido por uma força invisível, Gualter caminhou até elas, chegando bem a tempo de ver Quitéria virar mais uma taça de vinho de uma só vez. Ele franziu a testa.

— Eu sei que não estou à sua altura. Sei que você detesta o meu histórico familiar. Você diz que eu sou medrosa, que não tenho ambição... E eu aceito tudo isso. Mas tem uma coisa que eu não aceito.

Gualter contraiu os lábios levemente.

— E o que seria?

— Eu não sou o tipo de mulher que afunda a própria vida para bancar a família. Naquele dia, minha mãe me ligou exigindo vinte mil. Mas eu não dei.

Ela engoliu em seco antes de continuar: — Ela me disse que, se eu não desse o dinheiro, poderia sumir e nunca mais voltar, que eu seria uma sem-teto. Quando ouvi isso, eu hesitei. Porque eu tenho pavor de ficar sem uma família. Aquela casa, por pior que fosse o tratamento, ainda era o meu lar. Se eu a perdesse, estaria verdadeiramente sozinha no mundo, sem ter para onde ir.

— Bem na hora que hesitei, minha mãe achou que eu tinha aceitado, e por isso ligou de novo para exigir a transferência. — Ela olhou nos olhos dele. — Foi bem no dia em que esqueci meu celular no seu carro. E foi você quem atendeu.

Parecia que, desde aquele exato incidente, a atitude dele havia mudado drasticamente. Ele havia se tornado frio, distante. Mesmo quando se cruzavam no trabalho, ele não dizia uma palavra além do necessário.

Foi nesse momento que Quitéria compreendeu de vez: não havia a menor chance entre os dois.

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