No dia em que Cora Fernandes descobriu que estava grávida, no seu sétimo ano de casamento, o grande amor do passado de Bernardo Pereira também engravidou.
...
Do lado de fora do Hospital Vida Primeira, de Lagoa Cristalina.
Cora estava sentada no carro, apertando firmemente um exame nas mãos. O papel exibia as palavras: [Gravidez Confirmada].
Após sete anos de casamento, ela finalmente tinha engravidado de novo.
Com sete semanas, já era possível ouvir os batimentos cardíacos do bebê.
Ela pensou que Bernardo ficaria eufórico ao saber da notícia.
Mas, no momento em que pegou o celular, ela subitamente paralisou. Ela tinha acabado de ver Bernardo.
O olhar de Cora atravessou a janela do carro, fixando-se no lado de fora.
Bernardo protegia discretamente uma mulher enquanto caminhavam em direção à entrada do hospital.
Foi apenas um vislumbre rápido, mas ela a reconheceu imediatamente. Era Adelina Botelho.
A atriz mais famosa do momento, que possuía inúmeros contratos com o Grupo Ferreira.
A quantidade de fotos que Adelina tirara com Bernardo em um único ano superava os registros de sete anos de casamento de Cora.
O casamento deles era mantido em total sigilo, por isso ninguém sabia que ela era a Sra. Pereira.
A proximidade ambígua entre Bernardo e Adelina fazia com que todos acreditassem que a atriz era, de fato, a verdadeira Sra. Pereira.
Bernardo estava sempre presente em todos os grandes eventos de Adelina.
Logo que se casaram, Cora se sentia um pouco incomodada.
Bernardo fora direto: Adelina trazia grandes lucros para a empresa, e Cora, como a Sra. Pereira, deveria ser compreensiva e elegante, sem sentir ciúmes sem sentido.
E, naturalmente, não deveria ofender Adelina por questões tão pequenas.
Cora acreditou.
Mas agora, vendo aquela cena com os próprios olhos, o desconforto que sentiu foi avassalador.
De repente, seu celular vibrou com uma notificação de um portal de fofocas.
[A estrela Adelina foi vista usando roupas largas. Há suspeitas de gravidez.]
Adelina estava grávida?
Cora sentiu um frio na barriga, mas logo tentou se acalmar. Respirou fundo, pegou o celular e ligou para Bernardo.
Seus olhos acompanharam cada movimento dele, até que ele e Adelina desapareceram discretamente no interior do prédio.
A ligação foi atendida.
— Bernardo...
— Vou tomar um banho.
Ele falou de forma fria e distante.
Sem esperar resposta, Bernardo se virou e subiu as escadas em direção à suíte principal no segundo andar.
Cora já estava acostumada com aquela frieza. Ela o seguiu silenciosamente.
O box do banheiro estava tomado pelo vapor, revelando a silhueta perfeitamente esculpida do homem: ombros largos, cintura estreita e pernas longas.
As omoplatas se moviam sob a água quente. O perfil do seu rosto era firme, os traços marcantes, o nariz reto e os lábios finos que carregavam uma certa indiferença.
Ela já tinha visto aquela cena inúmeras vezes, mas ainda assim sentiu o rosto esquentar.
Tentando se recompor, ela se inclinou para recolher as roupas que Bernardo havia tirado.
Naquele exato momento, o celular esquecido no bolso do paletó vibrou.
Cora se aproximou rapidamente do cesto de roupas sujas para pegar o aparelho e entregá-lo ao marido.
Mas, ao puxar o telefone, um papel de exame de ultrassom escorregou e caiu junto.
As letras pretas no papel branco foram como um soco no estômago.
Com as mãos trêmulas, Cora pegou o papel. De repente, faltou-lhe coragem para desdobrá-lo e ler.

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