Embora o casamento de sete anos fosse mantido em segredo, ela sempre acreditou que a relação deles era sólida. Bernardo jamais faria algo para traí-la.
No entanto, o nome da paciente no exame saltou aos seus olhos.
Adelina.
Ao ver aquelas letras nítidas, o coração de Cora estremeceu.
Seus dedos se curvaram, apertando o celular com força.
Então, as fofocas não eram apenas rumores. Eram reais.
Adelina estava grávida!
A notícia a atingiu com tanta força que ela ficou atônita.
O celular tocou por alguns instantes, parou, e logo em seguida começaram a pipocar notificações de mensagens.
— Bernardo, por que não atende?
— O bebê se comportou muito bem no exame de hoje.
— Meu aniversário está chegando, o que vai me dar desta vez?
— Feliz dez anos juntos, Bernardo.
Uma mensagem atrás da outra.
As pontas dos dedos de Cora ficaram pálidas de tanto apertar o papel do exame. Ela lutou para conter as lágrimas, mas elas escaparam, caindo pesadamente sobre o papel.
Logo, ela ouviu os passos de Bernardo se aproximando da porta.
Cora enxugou o rosto às pressas e devolveu o celular e o exame para o bolso do paletó.
Antes que pudesse se recompor totalmente, Bernardo saiu do banheiro enxugando o cabelo com uma toalha.
— Meu celular tocou?
Cora abaixou os olhos para evitar encará-lo e caminhou apressadamente para fora do quarto.
— Tocou? Não prestei atenção.
— Cora, o que você queria me dizer mais cedo?
Bernardo perguntou de repente.
Ele girava o celular entre os dedos, sem demonstrar qualquer emoção no rosto. Até mesmo a irritação por ter sido interrompido antes fora habilmente ocultada.
Cora se acalmou e olhou para ele em silêncio.
— Não era nada grave. É que fico muito entediada em casa e estava pensando em voltar a trabalhar.
Bernardo franziu a testa, e seu olhar escureceu ao observá-la.
— Cora, você é a minha esposa. Precisa saber o que deve ou não fazer. Não toque mais nesse assunto de trabalho, está fora de cogitação.
O tom de voz dele era autoritário, não deixando margem para questionamentos.
Pouco depois, ela desceu para a cozinha.
Na panela de barro sobre o fogão, um risoto de frutos do mar borbulhava, exalando um leve cheiro característico que de repente embrulhou o seu estômago.
Ela cobriu a boca com a mão, forçando a náusea a passar.
O risoto de frutos do mar era o prato favorito de Bernardo.
Ela detestava.
Mas, durante os sete anos de casamento, ela havia aprendido a comer com aparente prazer só para acompanhá-lo.
Porque o mundo de Cora girava inteiramente em torno de Bernardo.
Para ela, ele era o centro de tudo. Ela dedicava todo o seu ser àquele casamento, engolindo os desaforos sem nunca proferir uma queixa.
Nas raras ocasiões em que Bernardo lhe dirigia a palavra com um pouco mais de doçura, ela se convencia de que o casamento deles era perfeito, doce como mel.
Uma doçura que, na verdade, era letal.
A falta de filhos tornara Cora uma mancha aos olhos da Família Pereira.
Os olhares de desprezo dos membros da família a apunhalavam constantemente.
Mas a verdade é que ela já havia estado grávida antes... Ela apenas perdera o bebê.
A enxurrada de pensamentos deixou Cora com o olhar perdido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo