Ele pediu a Wilson Sousa que investigasse para onde Cora poderia ter ido.
Dez minutos depois, Wilson retornou a ligação:
— Sr. Pereira, a senhora está no edifício Bosque dos Ipês, bloco 32, apartamento 901.
Com o endereço em mãos, Bernardo pegou as chaves do carro, saiu imediatamente e dirigiu até o Bosque dos Ipês.
Não gostar de Cora era uma coisa, mas ele definitivamente não permitiria que ela saísse do seu controle.
Afinal de contas, ela ainda era a Sra. Pereira.
No caminho até o Bosque dos Ipês, Bernardo só então se deu conta de que aquele imóvel era uma herança deixada pela mãe dela.
Não demorou muito para que ele chegasse ao condomínio.
Logo após estacionar o carro, Bernardo avistou Cora.
Ela usava uma saia curta e uma camiseta, e seus cabelos, antes sempre alinhados em um coque perfeito, estavam presos de forma despojada.
Seu rosto estava sem maquiagem, mas seus traços pareciam ainda mais delicados e marcantes do que o habitual.
Aquela imagem o fez lembrar do início do casamento, quando Cora o esperava todos os dias na porta com um sorriso iluminado no rosto.
Foi ele quem começou a comparar Cora com Adelina, achando que a aparência simples de sua esposa era um sinal de desleixo.
Depois disso, ela começou a se maquiar, ficando impecável como uma boneca de porcelana.
As pernas de Cora eram muito bonitas, Bernardo sempre soube disso.
Na cama, quando ela tentava seduzi-lo, ele só sentia vontade de dominá-la até o fim.
Mas, agora, ela estava ali, exibindo suas pernas brancas e torneadas para quem quisesse ver, sem o menor pudor.
Os homens que passavam na rua não conseguiam desviar os olhos.
O semblante de Bernardo pesou, e seu olhar se tornou sombrio.
Ele sabia que, durante todos esses anos de casamento, Cora não havia feito absolutamente nada de errado.
O único erro daquela história era o fato de ele não amá-la.
Mas quando uma mulher dedica os melhores anos de sua vida a um homem, é impossível não haver ao menos um pingo de sentimento.
Era óbvio. Ela havia criado expectativas à toa.
Como Bernardo poderia se importar com ela?
— Me solte. Não estou fazendo cena alguma. — A voz de Cora soou surpreendentemente calma, sem a menor hesitação.
Aquela atitude fria irritou Bernardo no mesmo instante. Ele não tinha a intenção de soltá-la.
Cada palavra que saía da boca dele era uma repreensão:
— Não se esqueça de que você ainda é a Sra. Pereira. E a Sra. Pereira deve agir como tal. Que roupas são essas? Você saiu da Família Pereira só para me provocar?
— Você veio até aqui apenas para me dar sermão, preocupado que eu manche a reputação da Família Pereira? — Cora olhou para ele com altivez, questionando com firmeza.
Sentindo uma amargura profunda, ela não pensou duas vezes antes de puxar o braço com força, libertando-se das mãos dele.
— Bernardo, você não tem o direito de me cobrar nada. — Cora disse, palavra por palavra.
— Você...! — O olhar de Bernardo escureceu ainda mais.
O clima pesou subitamente no ar.

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