Entre ela e Adelina, Bernardo sempre escolheria Adelina.
Cora sentou-se no sofá, o corpo cedendo como se todas as suas forças tivessem sido drenadas.
Ela acariciou o baixo ventre; talvez fosse a única maneira de conseguir se acalmar.
Depois de muito tempo, Cora voltou a ligar o computador.
Imprimiu o acordo de divórcio que havia redigido e assinou seu nome.
Em seguida, guardou-o em um envelope grande.
No dia seguinte, ela enviaria o documento para Bernardo.
Aquele casamento havia chegado ao fim; ela estava exausta.
...
Eram dez da noite.
Por causa da gravidez, Cora sentia bastante sono.
Ela havia se deitado cedo para descansar.
Em meio à sonolência, Cora recebeu uma ligação do hospital.
— Olá, é a Sra. Pereira? Seu marido sofreu um acidente de carro, precisamos que a senhora venha ao hospital — disse a enfermeira em um tom estritamente profissional.
Assim que ouviu aquelas palavras, ela despertou em um sobressalto, completamente lúcida.
— Bernardo sofreu um acidente? — ela confirmou instintivamente, respondendo quase por reflexo. — Estou indo para aí agora mesmo.
Rapidamente, Cora desligou o telefone, arrumou-se às pressas e pegou um táxi para o hospital.
Era uma mistura de tensão e aperto no peito.
Ela nunca imaginou que um dia receberia a notícia de que Bernardo havia sofrido um acidente.
Sete anos de casados; não importava o que acontecesse, ele ainda era o homem que ela mais amava.
Mesmo depois de entrar no táxi, ela continuava atordoada, incapaz de processar a realidade.
Sua mente foi inundada por imagens de Bernardo e por tudo que haviam vivido naqueles sete anos.
Mesmo ele sendo tão frio com ela.
Mesmo que a única comunicação real entre os dois acontecesse apenas entre quatro paredes.
Mesmo sabendo que era uma dedicação unilateral e que ele nunca havia se importado de verdade.
Ainda assim, ela persistiu por sete anos.
Sua melhor amiga, Patricia Almeida, sempre dizia que ela era cega de amor, que Bernardo devia ter feito algum feitiço para deixá-la tão devotada.
Afinal, a mulher à sua frente era o grande amor de sua vida.
— Beba um pouco de água. Se sentir qualquer incômodo, eu chamo o médico para você — Adelina cuidava dele nos mínimos detalhes.
Depois disso, a voz de Adelina silenciou. Cora baixou o olhar, sem querer ver mais nada.
Para ser exata, ela não tinha coragem de olhar.
De repente, sentiu-se como uma palhaça.
Ouviu que Bernardo sofrera um acidente e correu para lá sem pensar duas vezes.
E a realidade lhe deu uma lição cruel.
Patricia tinha razão: ela era mesmo uma tola apaixonada.
Depois de sete anos tentando aquecer um coração de pedra, ela ainda conseguia sentir compaixão.
Imersa nesses pensamentos, ela instintivamente se virou para ir embora; ninguém precisava dela ali.
No entanto, a dor latejante no fundo do seu peito era impossível de reprimir.
No momento em que se virou, uma notificação de notícias de última hora pipocou na tela do celular de Cora.
[Presidente do Grupo Pereira, Bernardo, sofre acidente de carro na madrugada por amor.]

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