Então, aquele colar foi realmente um presente de Bernardo para Cora.
Mas, na verdade, a escolha foi apenas um acaso.
Naquele dia, quando os representantes da marca procuraram por Bernardo...
Ele, por acaso, viu o gatinho no catálogo.
Por alguma razão — talvez por causa da relação conturbada que vinha tendo com ela ultimamente —, Bernardo se lembrou de como Cora costumava implorar para ter um gato.
E lembrou também de como ela vinha sendo testada ao limite nos últimos dias, sempre teimando em não chorar, recusando-se a ceder.
De repente, surgiu nele uma leve vontade de agradá-la.
Afinal, ela carregava o seu trunfo no ventre.
E ele não iria maltratar a sua própria garantia.
Quanto mais avançada estivesse a gravidez, mais seguro esse trunfo estaria.
Por isso, Bernardo acabou perguntando sobre o pingente sem pensar muito.
A marca explicou que seria feito sob medida.
Ele então mandou que providenciassem a peça, e assim surgiu a gargantilha.
A verdade é que, em sete anos de casamento, Cora nunca havia lhe pedido nada.
Já Adelina era diferente.
Ela não pedia as coisas abertamente, mas usava outras táticas para convencê-lo a dar.
Provavelmente movido pela culpa que sentia em relação a Adelina, Bernardo sempre a mimava.
Adelina gostava de ostentar, e muitas vezes fazia questão que ele a presenteasse em público.
E Bernardo concordava.
Apenas que ele não via necessidade de explicar nada disso para Cora.
Para ele, Cora era apenas uma ferramenta que a Família Pereira havia trazido para dentro de casa, um amuleto para atrair boa sorte e espantar o mau agouro da família.
Sendo assim, ser confrontado daquela forma o deixou irritado.
A ternura anterior desapareceu, dando lugar à amargura.
Cora permaneceu quieta, sem dizer uma palavra.
— Se eu não vir esse colar no seu pescoço, entendeu? Você já sabe as consequências. — Bernardo a ameaçou.
Era como se ele conseguisse prever com clareza cada movimento e intenção de Cora.
— Tudo bem. Não tem medo de que a Adelina descubra que você me deu um colar e não me deixa tirá-lo? Ela não ficaria com o coração partido? — Cora perguntou com o rosto inexpressivo.
— Sr. Pereira, aconteceu algo péssimo! A Sra. Botelho disse que vai viajar para o exterior e já está a caminho do aeroporto. Ela não comentou nada com ninguém, fomos todos pegos de surpresa.
A assistente suava frio enquanto falava, estava realmente apavorada.
Ninguém imaginava que Adelina simplesmente faria as malas e iria embora de verdade.
A Adelina de antes nunca agiria assim.
Pois, mesmo quando fazia cena, era só um jeito de chamar a atenção dele.
Bastava uma ligação de Bernardo para acalmá-la.
Mas agora, a assistente não tinha mais tanta certeza.
— O que você disse? Bando de inúteis, quem deu permissão para deixarem ela sair?! — Bernardo explodiu em fúria.
— Nós... — A assistente gaguejou de nervoso.
— Estou indo para aí agora mesmo. Mandem os seguranças interceptá-la imediatamente. — ordenou ele rapidamente.
Assim que terminou de falar, Bernardo desligou na cara dela.
Ele sequer olhou para Cora, que ainda estava na cama.
E pensar que, só um segundo antes, ele estava a presenteando com um colar.

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