Ela havia se tornado a pessoa aprisionada nas próprias escolhas.
Bernardo, que tinha acabado de sair do banho na suíte principal, presenciou exatamente aquela cena.
Um traço de tensão cruzou seu olhar, mas no instante seguinte, sua voz soou extremamente fria e dura.
— Cora, o que foi? Até agora pouco você estava chorando e gritando. Para quem você está fazendo esse teatro de meia-morta agora? — Bernardo disse de forma cruel.
Ele olhava para Cora de cima para baixo, sem nenhuma demonstração de piedade.
Os olhos de Cora se depararam com a ponta de um par de sapatos de couro artesanal.
A ponta do sapato encostou em seus dedos finos.
Se ele chegasse só um pouco mais perto e pisasse com mais força, o peso poderia facilmente esmagar os ossos de sua mão.
— Levante-se! — Bernardo ordenou em voz baixa ao ver que ela não reagia.
Cora continuou sem responder.
Seus dedos delicados recuaram um pouco e, em seguida, ela se apoiou no chão na tentativa de se levantar.
Mas, não sabia o porquê, talvez devido à tensão subconsciente ao ver Bernardo.
Ou talvez estivesse realmente passando mal.
Aquela mesma dor na barriga voltou com força total.
O bebê se agitava freneticamente na barriga, chutando as costelas de Cora.
Uma dor aguda e repentina a fez suar frio instantaneamente.
Cora fez força contra o piso, lutando para ficar de pé.
Mas não importava o quanto ela tentasse, não tinha forças para se levantar.
Era como se toda a energia de seu corpo tivesse sido drenada.
Logo, ela desabou no chão novamente, sem forças.
Seu rosto ficou pálido, e as cólicas na barriga se tornaram mais agudas; ela colocou a mão sobre o ventre.
O bebê estava agitado, e ela tentava acalmá-lo.
Porém, mesmo com tudo isso, ela se recusava a demonstrar fraqueza na frente de Bernardo.
— Ainda fingindo? — A voz de Bernardo ficou ainda mais gélida.
Ele se agachou na frente de Cora e zombou.
Seus dedos rígidos e ossudos agarraram o queixo de Cora com firmeza.
Ele a forçou a levantar a cabeça.
O sapato de couro avançou um passo, pisando sobre os dedos finos dela.
Quando a dor a atingiu, Cora já nem conseguia distinguir se o que doía mais era sua barriga ou seus dedos.
De repente, Cora deu um sorriso muito fraco na direção dele e disse:
— Bernardo, o seu sapato está pisando em mim. Eu não consigo me levantar.
Ela pronunciou essas palavras de maneira apática.
Sendo que as pontas de seus dedos já começavam a ficar vermelhas.
A pele delicada havia sido ferida pelo pisão.
Como não sentir dor, quando as terminações nervosas dos dedos são tão sensíveis? Era impossível não doer.
No entanto, naquele momento, o torpor e a dormência eram maiores que a dor, revelando uma total indiferença.
Só então Bernardo olhou para os dedos de Cora.
Seu olhar tornou-se gradualmente complexo, mas, diante dela, ele não demonstrou nenhuma grande reação emocional.
Sua mão ossuda soltou Cora.
Cora cambaleou um pouco e recuou instintivamente.
Ela apoiou a mão na parede, tentando se levantar.
Mas mal conseguiu se erguer um pouco antes de cair de volta ao chão.
Não conseguia encontrar um pingo de força.

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