Dez minutos depois, o médico saiu, e Bernardo foi ao seu encontro.
— Fique tranquilo, o bebê e a Srta. Botelho estão bem. — O médico deu uma breve explicação: — Apenas evitem que ela sofra grandes emoções ou estresse, pois isso pode afetar a imunidade dela e causar complicações indesejadas na gestação.
Bernardo apenas assentiu com um murmúrio de confirmação.
Adelina foi trazida em uma cadeira de rodas. Ao ver Bernardo, exibia um semblante pálido e cheio de mágoa.
— Me desculpa... Se algo tivesse acontecido com o nosso bebê, eu morreria de culpa. — Ela estendeu a mão para segurar a dele.
— O bebê está perfeitamente bem — tranquilizou-a Bernardo.
Adelina assentiu, como se finalmente pudesse se aliviar.
Ele a acompanhou de volta ao quarto particular dela.
Assim que a porta foi fechada, Adelina ergueu os olhos para encará-lo.
— Bernardo, me desculpa. Eu não devia ter feito um escândalo para ir junto com você. Se eu não tivesse insistido, não teríamos discutido e você não teria sofrido o acidente. — Ela tomou a iniciativa de se desculpar mais uma vez. — Mais cedo eu fui ao seu quarto justamente para me redimir, mas não imaginei que...
Com os olhos voltados para baixo, ela escondia o profundo ressentimento que nutria por Cora.
Mas, ao erguer o rosto para encará-lo novamente, parecia a própria imagem da inocência injustiçada.
— Eu entendo. Eu estou grávida, e é normal que você precise de uma mulher ao seu lado. Ainda mais sendo a Cora. — Adelina falou com um tom de extrema compreensão. — Pensando bem, ela tem razão. No fim das contas, sou eu a amante destruindo o casamento de vocês.
Dizendo isso, grandes lágrimas rolaram pelo seu rosto.
Bernardo estreitou ligeiramente os olhos, captando a informação-chave no discurso de Adelina.
— Quando foi que você encontrou com a Cora? — ele perguntou, direto ao ponto.
— Fui ao seu quarto há pouco, e ela tinha acabado de chegar. Provavelmente por estar nervosa, acabou me dizendo algumas coisas. Afinal de contas, eu estava no carro com você durante o acidente. Ela te ama tanto que é natural descontar a raiva em mim. Foi apenas a preocupação falando mais alto, não fique chateado com ela por ter sido dura com as palavras.
Estranhamente, Adelina ainda parecia tentar defender a rival.
Suas mãos delicadas continuavam a segurar as dele, e cada sílaba sua exalava sinceridade.
— Eu vou conversar com ela sobre isso — disse ele, tentando acalmá-la.
Com aquelas palavras de Adelina, Bernardo sentiu o peso da culpa em relação a ela aumentar consideravelmente.
Comparada à doçura da amante, Cora parecia se mostrar cada vez mais irracional e histérica.
Aquela atitude compreensiva também ajudou a dissipar a angústia que Bernardo sentira antes, quando viu o desespero de Adelina quase a levar a fazer uma loucura.


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