Mas o quarto estava vazio, sem o menor sinal da presença dela.
A única prova de que ela estivera ali era uma mancha de sangue seco, ainda bem visível na quina do móvel.
O rosto de Bernardo assumiu uma expressão terrível de irritação. Ele deu meia-volta e saiu pelo corredor, enquanto tentava discar para o número dela.
— Desculpe, o número chamado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura. — Apenas a voz metálica e fria da operadora respondeu.
A frustração já transbordava pelo seu olhar.
Era a segunda vez que Cora apelava para aquele mesmo truque.
— Sr. Pereira, aonde o senhor vai? O senhor acabou de sair de um procedimento cirúrgico... — Wilson o abordou, apavorado ao ver a pressa do patrão.
O assistente correu atrás dele, ansioso para impedi-lo de cometer uma imprudência.
Mas, no segundo seguinte, foi rudemente empurrado por Bernardo, cambaleando para o lado.
Bernardo não perdeu tempo e entrou em seu carro.
Ignorando completamente o curativo em seu braço direito, que já começava a manchar de sangue, ele deu a partida com violência e acelerou em direção ao apartamento de Cora.
Durante o trajeto, ele tentou ligar mais algumas vezes, mas o celular dela continuava desligado.
O semblante dele se fechava cada vez mais, consumido pela raiva.
Foi então que o aparelho em sua mão começou a vibrar.
Sem olhar para a tela, ele atendeu com rispidez:
— Cora, quem te deu permissão para desligar a porcaria do celular?
Houve um breve silêncio do outro lado da linha, até que a voz que soou não foi a esperada, mas sim a de Adelina.
— Bernardo, você foi atrás dela? — indagou Adelina, em um tom contido e baixo.
Dessa vez, foi Bernardo quem ficou em silêncio.
— Bernardo, você ainda se importa com a Cora, não é? Afinal, por mais que queiramos negar, vocês foram casados por sete anos. — A voz de Adelina soou compreensiva e suave. — É perfeitamente normal você não conseguir desapegar dela. No fundo, ela não fez nada de errado nesse tempo todo.
Aquela observação fez com que o aperto de Bernardo no volante ficasse ainda mais forte.
Naqueles sete anos, Cora sempre havia cumprido rigorosamente o seu papel como esposa da família Pereira. Jamais se expôs publicamente, e inclusive manteve o casamento em segredo sem nunca reclamar.
Depois de tanto tempo, qualquer pessoa minimamente humana não seria capaz de permanecer impassível.

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