Era uma ligação de Wilson.
Bernardo pensou que algo tivesse acontecido com Adelina e atendeu imediatamente.
— Aconteceu alguma coisa com a Adelina? — Bernardo perguntou a Wilson logo de cara.
Ele sequer tentou disfarçar na frente de Cora; perguntou assim, abertamente.
Com os olhos baixos, o olhar de Cora revelou uma pitada de autodepreciação, mas seu coração já estava entorpecido.
Com quem Bernardo se importaria eternamente era apenas Adelina.
As duas eram como água e vinho.
— O que você disse? — O tom de Bernardo revelou um choque profundo.
Cora o observou em silêncio, já sem demonstrar qualquer emoção.
Pensou que Adelina provavelmente havia causado outro alvoroço, exigindo aos prantos que Bernardo voltasse.
Afinal, ela era uma atriz consagrada, encenar esses dramas era natural para ela.
Cora definitivamente não era páreo para Adelina.
Pelo telefone, Wilson foi rápido e direto:
— Eu estou no seu quarto no hospital e vi um envelope grande. Pensei que fossem documentos da empresa, mas quando abri, encontrei o pedido de divórcio que a sua esposa deixou para o senhor.
Wilson havia ficado atônito ao ver aquilo.
Jamais imaginou que Cora pediria o divórcio por iniciativa própria.
Não só ele, mas provavelmente todos achavam que Cora lutaria até o fim por esse casamento, sem ceder um milímetro.
Afinal, no leito de morte, o vovô declarara que, enquanto Cora não quisesse, Bernardo não poderia se divorciar.
Aquela tinha sido a última proteção que o velho patriarca dera a ela.
Portanto, aos olhos de todos, mesmo com Adelina grávida, contanto que Cora se recusasse a largar o osso, a Sra. Pereira continuaria sendo ela.
Isso sem mencionar que faltavam apenas três meses para o casamento de Bernardo e Cora completar sete anos.
E no entanto, Cora foi quem entregou os papéis do divórcio.

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