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Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo romance Capítulo 385

Surpreendentemente, Bernardo não resistiu, apenas fitou Cora em silêncio.

— Bernardo, você tem coração, pelo menos?! Ela é a sua filha biológica!

Cora teve uma crise de histeria:

— Se você tem ressentimentos contra mim, se você me odeia, desconte em mim! Você pode me matar, me torturar, mas por que precisa ser tão sádico a ponto de sacrificar o seu próprio sangue?!

Os berros de Cora transformaram-se gradualmente em um lamento arrasador.

Tingido, pouco a pouco, de puro desespero.

— Se ela soubesse que foi descartada pelo próprio pai, o quão destruída ela ficaria?

As lágrimas escorriam incontrolavelmente pelo rosto de Cora enquanto ela falava.

De repente, ela soltou Bernardo, cambaleou e recuou um passo.

Num reflexo automático, Bernardo tentou segurá-la.

— Não encoste em mim! — Cora repeliu a mão dele com violência.

Mesmo cambaleante, sem conseguir se manter de pé com firmeza, mesmo sentindo uma dor que a sufocava.

Ela não queria que Bernardo a tocasse nem por um segundo.

Os olhares de ambos se cruzaram no ar.

Repentinamente, tudo foi engolido pelo silêncio.

Até que Cora, diante dos olhares assombrados de todos, caiu de joelhos na frente de Bernardo.

— Bernardo, eu imploro, salve-a, por favor? — A voz de Cora era de partir o coração.

Ela agarrou a barra da calça de Bernardo, suplicando.

— Eu te imploro, salve a vida dela. Ela é inocente, pelo menos dê a ela a chance de tentar viver — Cora rogava com todas as suas forças.

Suas lágrimas já haviam secado de tanto chorar.

O redor dos seus olhos estava inchado e dolorido de forma assustadora.

Cora nem sequer se importava com a própria humilhação.

Em virtude do pico de estresse, os pontos de sua cirurgia começaram a se romper.

Mas, em comparação com a gravidade anterior, aquele sangramento parecia algo minúsculo.

O pijama branco do hospital aos poucos ia sendo manchado de vermelho.

E ainda assim, Cora não demonstrava se importar.

Ela apenas continuava repetindo cegamente a mesma frase.

Seus olhos observavam Cora sem esboçar qualquer emoção.

Sem serem abalados, no mínimo que fosse, por toda a tragédia que acontecia ao redor.

Ele era cruel, impiedoso e dotado de uma frieza inumana.

Cora olhou fixamente para os olhos de Bernardo.

E dentro do olhar dele, sua esperança esvaiu-se a cada instante.

Até dar lugar ao desespero definitivo.

Bernardo explicou pacatamente:

— Fazer a cirurgia ou não fará muito pouca diferença para ela. A taxa de sucesso é inferior a 30%. Sem contar que a situação dela acaba de piorar muito. Se operarmos agora, as chances cairão ainda mais. Ela jamais sairia viva daquela mesa de cirurgia. Mandá-la para lá seria assinar a sua sentença de morte.

Aquelas palavras eram tão brutais quanto diretas, contudo, dadas as circunstâncias atuais, eram verdades inquestionáveis.

A fala de Bernardo silenciou Cora por um momento.

Suas lágrimas se recusavam a continuar caindo.

E a sua voz estava mergulhada em tremores.

— Bernardo, mas a cirurgia é a única possibilidade que ela tem de sobreviver. Sem isso, ela ficará apenas aguardando a própria morte, não é mesmo? — Cora ainda tentava contestar com a razão.

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