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Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo romance Capítulo 388

Deixar Cora levar a criança.

Era uma forma de conceder-lhe um último desejo.

Uma atitude que até parecia sensata e humana.

Mas, como Bernardo permanecia em silêncio, ninguém ousou dar uma palavra.

— Eu já falei, só vamos conversar sobre isso quando você estiver recuperada. — Muito tempo depois, Bernardo pronunciou as palavras pausadamente.

— Olhe para o seu estado. Se eu te entregar a bebê, e aí? — Ele indagou, fixando o olhar nela. — O que você vai fazer? Você não consegue nem se manter em pé. Está pensando em ser enterrada junto com ela?

Suas palavras foram afiadas e cruéis.

Mas Bernardo sabia bem o motivo de agir assim.

Ele queria obrigá-la a lutar.

Sabia que a relação deles estava arruinada e que não havia mais volta.

Contudo, de um jeito quase instintivo, Bernardo desejava que, ao menos, ela sobrevivesse a tudo aquilo.

Seria culpa?

Cora sustentou o olhar dele, sabendo que aquilo era um "não" disfarçado.

Soltou uma risada amarga.

E voltou seus olhos para a incubadora, ali a poucos metros.

A bebê já não chorava mais.

Pequena e desamparada.

A visão de Cora foi embaçando.

Ultimamente, sua própria percepção do mundo andava turva, ofuscada pela exaustão e pela dor.

Ela deu um passo novamente em direção à incubadora.

Mas, dessa vez, Bernardo entrou no caminho.

— Você está sangrando. Seja razoável, volte para o quarto com a enfermeira. — Seu tom era grave.

Cora tentou empurrá-lo, em vão.

Ficaram num impasse tenso.

— Bernardo, faltam apenas alguns dias para as ações passarem para o seu nome. Ela logo não servirá para nada. Por que você não a solta?

Ela repetiu a pergunta, com uma voz robótica.

Ele não respondeu.

Sem paciência para continuar a discussão, virou-se com a expressão fechada para o médico.

— Cuidem do sangramento. Eu não quero que nada de ruim aconteça a ela. — Ordenou Bernardo.

O médico atendeu de imediato, avançando para socorrê-la.

Não era efeito da anestesia ou das medicações.

Era como se a própria Cora tivesse desligado a vontade de viver.

Recusando-se a despertar para uma realidade insuportável.

— Sr. Pereira, a paciente não está respondendo bem. Ela precisa retomar a consciência. — O médico explicou, com a testa franzida.

— Caso contrário, o desfecho pode ser fatal. A única vantagem desse estado apático é que, sem os picos de estresse, os tecidos param de se romper. O quadro inflamatório interno pode ceder e se estabilizar. Porém, pode ser necessária uma intervenção psiquiátrica em breve.

O médico fez um balanço frio dos prós e contras.

Havia fatores positivos e negativos.

Mas as perspectivas ruins superavam as boas de longe.

— Sugiro que evitemos qualquer tipo de estímulo estressante. — Aconselhou o profissional, escolhendo bem as palavras.

Bernardo apenas assentiu com um murmúrio, mas não acrescentou mais nada.

— Qual é o prazo para ela acordar? — Bernardo indagou, fitando-o.

— A estabilização física deve ocorrer em alguns dias. Se ela se mantiver serena, a recuperação do corpo pode ser rápida, já que é jovem.

— Por isso, logo após essa estabilização, é imperativo que ela acorde.

O médico foi categórico.

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