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Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo romance Capítulo 400

No passado, Wilson saberia decifrar os pensamentos de Bernardo com extrema facilidade.

Mas agora, ele já não tinha mais essa certeza.

Bernardo ouviu o relato em silêncio. Depois de muito tempo, finalmente ordenou:

— Continue procurando. Aumente o valor oferecido.

Aquilo significava uma recusa direta a entregar as córneas de Cora.

Pelo menos, não por agora.

Wilson não ousou questionar. Apenas assentiu e retirou-se para cumprir a ordem.

Só então Bernardo retomou o caminho de volta ao quarto de Cora.

Coincidentemente, uma funcionária havia acabado de chegar com o lanche da tarde.

Quando ele abriu a porta, ela terminava de arrumar a pequena mesa sobre a cama.

Cora comia as frutas e biscoitos em silêncio absoluto.

Com a maior naturalidade, Bernardo aproximou-se e sentou-se no sofá ao lado da cama.

Ficando bem próximo a ela.

Era assim que as coisas vinham acontecendo nos últimos tempos.

Bernardo ficava ali, fazendo companhia a Cora.

Dividiam o mesmo espaço, mas raramente trocavam alguma palavra.

Na maioria das vezes, o silêncio era total.

Cora terminou seu lanche de forma serena e afastou a bandeja.

De repente, ela voltou o olhar para Bernardo.

— O que foi? — indagou ele, num tom tranquilo e sem pressa.

— Eu quero ir ver a Noelia — ela respondeu, indo direto ao ponto.

— Noelia? — Bernardo fez uma pequena pausa.

Logo percebeu que aquele era o nome que Cora havia escolhido para a filha.

— Por que Noelia?

Desde o nascimento, aquela criança não havia recebido um nome.

Afinal, ninguém via necessidade nisso.

Ela sequer havia sido registrada no cartório.

Pois todos acreditavam que a bebê não sobreviveria nem ao primeiro mês.

Parecia que apenas Cora havia se importado em dar um nome à filha com tanto carinho.

Cora não desviou da pergunta e explicou de forma suave:

— Noelia significa 'bom nascimento', de um sopro de vida e proteção. Significa que ela ficará sã e salva.

Bernardo repetiu o nome "Noelia" em voz baixa algumas vezes.

Assentiu, sem se opor.

Cora manteve a sua quietude de sempre.

Ela encostou a mão pálida e fina no vidro frio, como se tentasse, de alguma forma, tocar a pele da sua bebê.

Porém, sempre que Cora chorava, seus olhos começavam a doer intensamente.

Ela não conseguia entender o motivo exato.

Talvez fosse porque, após o parto, seu corpo sofreu um grave desequilíbrio pela falta do devido resguardo e descanso necessário.

E todo o estresse extremo e as desgraças recentes agravaram sua imunidade e suas inflamações internas.

Mas Cora não se importava com a dor física. Ver que Noelia estava ali, respirando, já a deixava com o coração em paz.

Ela ansiava profundamente em poder segurar sua filha nos braços.

Só que não tinha coragem de fazer aquele pedido em voz alta.

E quanto mais pensava nisso, mais aquele impulso incontrolável tomava conta de si.

— Você quer entrar? — Bernardo perguntou de repente, surpreendendo-a.

Cora olhou para ele, com o coração acelerado de esperança:

— Eu posso entrar?

Bernardo não respondeu de imediato.

Ele se virou e foi procurar o médico responsável pelo setor.

Explicou rapidamente o que Cora desejava.

O médico analisou a situação por um instante e, por fim, assentiu.

— Sra. Pereira, venha comigo. Após realizar a higienização rigorosa, a senhora poderá entrar e segurar sua filha por alguns minutos — informou o médico com clareza.

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