O rosto de Cora mudou de cor.
Ela se lembrou da certidão de divórcio que ainda não haviam recebido.
E não tinha certeza se havia alguma outra variável naquela história.
— Enquanto a certidão não estiver nas nossas mãos, não estamos divorciados. — Bernardo foi bem claro.
— Bernardo, naquele dia em que fomos ao Cartório, não pegamos o documento só porque o estagiário não sabia onde tinha colocado o livro de registros. Mas nós concluímos todos os procedimentos! — Cora gritou para ele, tomada pela fúria.
Bernardo continuou olhando para ela em silêncio, sem dizer uma palavra.
Aquilo era o que Cora acreditava ter visto.
Porém, lá no Cartório, devido às manobras ilícitas de Bernardo, todo o processo havia sido reiniciado do zero.
Só que Cora não sabia disso.
Na prática, ela e Bernardo não estavam divorciados.
Cora ainda era a Sra. Pereira.
Com que direito Daniel pensava que podia dormir com ela?
O olhar de Bernardo pesava sobre ela; no fundo, ele sabia a resposta mais do que ninguém.
Havia deixado Cora ir embora porque o estado dela na época era de total desespero.
Bernardo não quis arriscar perdê-la de forma definitiva.
Por isso cedeu às vontades dela.
Mas bastou um pouco de calmaria para que esse sentimento obsessivo ressurgisse das cinzas.
Ele não queria deixá-la partir.
— Sem a certidão, o divórcio não existe. — Bernardo finalizou a frase com a expressão gélida.
Essas palavras fizeram com que Cora não pensasse duas vezes antes de dar um tapa forte no rosto dele.
No silêncio da cabine, o som do estalo ecoou com extrema nitidez.
Cora estava ofegante, claramente tendo usado toda a sua força.
As marcas dos cinco dedos de Cora apareceram nítidas no rosto dele.
Bernardo a encarou com uma aura ameaçadora.
Cora o empurrou, querendo sair dali imediatamente.
Mas, desta vez, ela foi pega de surpresa.
Porque Bernardo a puxou de volta abruptamente.
Cora foi prensada contra a tampa do vaso sanitário.
O beijo de Bernardo veio com voracidade, sufocando quase todas as tentativas de protesto.
A repulsa de Cora por ele era óbvia.
Mas quanto mais ela resistia, mais implacável ele se tornava.
Cora não conseguia acreditar no que ele estava fazendo e mordeu os lábios finos de Bernardo.
Ele sentiu a dor.

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