O olhar de Cora exibia uma firmeza inabalável, deixando claro que não estava para brincadeiras.
Ela aguardou a decisão de Bernardo, sem apressá-lo.
Ele, por sua vez, apenas a observava em silêncio, não oferecendo uma resposta imediata.
Cora abriu os braços, demonstrando uma indiferença calculada.
— Sr. Pereira, minhas exigências estão na mesa. Ah, e acrescento mais uma coisa: quero que a Sra. Pereira convoque uma coletiva de imprensa e peça desculpas públicas e formais. — Sua voz mantinha um tom surpreendentemente calmo.
Assim que ela terminou de falar, Bernardo deu um passo na direção dela.
Cora não recuou, seu olhar permanecendo fixo no dele.
Ele abaixou a cabeça, e as pontas de seus dedos roçaram suavemente a pele do rosto dela.
Em seguida, ele ajeitou uma mecha de cabelo que caía sobre o peito dela, prendendo-a atrás da orelha.
— Cora, você está fazendo isso de propósito? — Ele não parecia zangado, a voz soando lenta e controlada.
Ela ergueu uma sobrancelha, fingindo inocência:
— De propósito, Sr. Pereira? Apenas fiz um pedido sensato. Se alguém quer algo, deve estar disposto a pagar o preço. Achei que esse princípio fosse bem claro para o senhor.
Ao dizer isso, ela soltou um riso sarcástico.
— Além do mais, o senhor sabe muito bem que a Noelia é o meu limite. A Sra. Pereira pode fazer o que quiser, eu não me importo. Mas tocar na Noelia é inaceitável. — Ela resumiu de maneira ríspida e direta.
Ele continuou a encará-la, parecendo ponderar a resposta adequada.
Cora não se incomodou em continuar seu raciocínio.
— Mas não se preocupe, Sr. Pereira, eu separo as coisas. Não vou perseguir a Sra. Pereira por causa disso, os nossos negócios em comum continuarão. Afinal, sei muito bem agir como uma profissional.
Terminando a frase, ela deu um passo para trás, restaurando uma distância segura entre os dois.
A ironia e o tom dissimulado em suas palavras eram evidentes.
E não haviam passado despercebidos por Bernardo.
Ele soltou uma risada exasperada, o olhar pesado repousando fixamente sobre ela.
— Cora, você está insinuando que eu sou um canalha? — Ele perguntou, franco.
— O quê? — Ela se fez de desentendida.
Bernardo avançou mais um passo.
Ela não tinha a menor chance de escapar.
Rendeu-se passivamente aos lábios dele, sem retribuir o contato.
Bernardo não foi além do limite, satisfazendo-se com um leve contato e logo recuando.
Em seguida, ele a soltou, mas não permitiu que ela saísse de perto de seu corpo.
Olhou para baixo, encarando-a e dizendo as palavras com clareza cortante.
— Você retira a queixa e eu farei com que ela se desculpe publicamente. Como você mesma disse, nada de misturar as coisas. Os problemas dela não dizem respeito ao que acontece entre nós. — O tom de Bernardo era imponente.
Cora engoliu o golpe e não recuou:
— E se eu me recusar a ceder, Sr. Pereira?
Sem se irritar, ele respondeu:
— Cora, estamos em Lagoa Cristalina, não em Luzia do Mar. Posso ser diplomático com você, mas também posso ignorar os seus limites, entendeu?
Não havia mais o que ser dito.
Apenas a implícita ameaça para que ela pensasse bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....