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Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo romance Capítulo 549

Após mais de três anos de casamento, aquele aroma lhe era familiar, mas ao mesmo tempo estranho.

Um turbilhão de imagens invadiu sua mente.

Lembranças do passado misturadas com os eventos do presente.

Ela sabia exatamente o motivo da súbita perda de controle de Daniel.

Ele era um homem perfeitamente normal.

E já havia estendido o seu respeito até o limite máximo do suportável.

Se parasse para pensar, a pessoa egoísta da história era ela, e não o marido.

Com esse pensamento, Cora soltou um suspiro mudo.

Sentiu a leve frieza do ar tocar sua pele exposta.

A tensão intensa fez com que seus pelos se arrepiassem.

Ela até se esqueceu de resistir.

Era um medo puramente instintivo.

Inúmeras cenas passaram por sua cabeça em frações de segundo.

As vezes em que fora forçada por Bernardo.

Os dias em que vivera sob cárcere privado.

E até mesmo quando estava grávida, correndo risco iminente de perder o bebê.

Os prazeres do passado haviam se transformado em memórias mortais de dor.

Aquilo a sufocava aos poucos, quase a levando ao completo desespero.

A rigidez em seu corpo tornou-se cada vez mais evidente.

Daniel notou, mas não queria parar.

Seus beijos quentes traçaram um caminho ardente, descendo lentamente por sua pele.

— Cora, entregue-se a mim... — murmurou Daniel com uma voz rouca, profunda e contida.

Em meio àquela tensão sufocante.

Era possível sentir a iminente explosão de seus sentimentos reprimidos.

Cora não conseguiu pronunciar nenhuma palavra de recusa.

No entanto, a carga emocional guardada a empurrava cada vez mais em direção ao precipício.

Sua pele clara enrijeceu-se, ganhando um tom avermelhado.

O arrepio tomou conta de seu corpo em um instante.

Seu coração disparou de forma descontrolada e sua respiração tornou-se ainda mais curta.

Para Cora, não havia saída.

Não podia rejeitá-lo, muito menos reagir.

No fim das contas, a verdadeira prisioneira era ela mesma.

O limite para qualquer contato físico havia sido ultrapassado.

Ela sequer percebeu o momento em que foi virada.

Agora, debruçada sobre o sofá, ela olhava fixamente para as amplas janelas da sala de estar.

Aquele estado devastador de Cora trouxe Daniel de volta à realidade num instante.

Ele a soltou de imediato e começou a pedir perdão:

— Cora, me desculpe... me perdoa...

Ele não parava de se desculpar.

Sentia-se o pior dos canalhas.

Que diferença havia entre o seu comportamento e o de Bernardo no passado?

Ainda mais sabendo exatamente de toda a condição psicológica dela.

A culpa o corroía por dentro.

Rapidamente, carregou Cora até a cama e afastou-se, respeitando o espaço dela.

Sem perder tempo, Daniel chamou um médico.

Quando o profissional chegou e avaliou o estado da paciente, administrou-lhe um sedativo.

Era a primeira vez, depois de todos aqueles anos, que ela precisava de algo tão forte.

Era impossível descrever o tamanho do remorso que Daniel sentia.

Ele ficou ali, parado como uma estátua.

E só relaxou quando Cora começou a se acalmar e, finalmente, caiu em um sono profundo.

Então, acompanhou o médico até fora do quarto.

— Sr. Colombo, o estado emocional da sua esposa está muito fragilizado. A medicação que o senhor me mostrou é de uso contínuo, mas como ela segue a prescrição médica, tudo se mantém num padrão aceitável. No dia a dia, ela não precisaria de tanto. Aliás, em nossas consultas, ela mencionou que, quando está sozinha com o senhor, quase não há necessidade do remédio, ou no máximo uma dose muito baixa, a não ser que o ambiente esteja repleto de outros homens. É muito provável que hoje algum forte gatilho tenha desencadeado essa crise.

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