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Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo romance Capítulo 56

— Cora, quem te deu o direito de esconder essa gravidez de mim e ainda por cima abortar em segredo? — ele rosnou, encarando-a com uma fúria avassaladora.

Para ele, Cora havia perdido completamente o controle.

Tudo o que ela jamais ousaria fazer no passado, agora tinha feito.

E o pior de tudo: com uma naturalidade como se estivesse coberta de razão.

Como ela se atrevia?

— Por que fez isso? Só porque não consegue a minha atenção, porque não pode vencer a Adelina, resolveu me ameaçar dessa forma? — Bernardo já a estava condenando.

— Você é desprezível, Cora! Quem deveria estar morta é você!

Naquele momento, Bernardo já havia perdido qualquer resquício de sanidade.

Ali mesmo, no corredor do hospital, ele gritava com ela a plenos pulmões.

Cora, no entanto, mantinha uma calma surpreendente.

Em meio às palavras cruéis de Bernardo, ela subitamente compreendeu algo.

Ele havia atirado o resultado do exame diretamente no rosto dela. A borda do papel, afiada como uma lâmina, cortou sua bochecha.

Uma gota de sangue brotou do ferimento.

Mas Cora não se importou. Ao se abaixar para pegar o papel, tudo fez sentido.

Ela havia pegado o exame errado. Aquela "Cora" no papel não era ela, mas sim uma paciente com o mesmo nome e sobrenome.

A outra mulher tinha vindo para uma revisão após um aborto espontâneo.

Enquanto ela estava ali apenas para exames de rotina do pré-natal.

Foi um enorme mal-entendido. Mas, para Cora, acabou se revelando uma bênção disfarçada.

Ela decidiu entrar no jogo e assumir a culpa.

Já estava mais do que acostumada com os julgamentos e condenações de Bernardo.

Na visão dele, independentemente do que acontecesse, a culpa seria sempre dela, nunca um problema dele.

Mas, mesmo habituada, ser constantemente tratada como a vilã ainda doía.

— Sim, eu estava grávida. Mas esse bebê já não existe mais. — Cora olhou nos olhos dele, a voz imperturbável.

Ela sequer tocou no corte na bochecha, deixando que o sangue secasse na pele.

Com os olhos arregalados, ela o encarou.

Algumas pessoas ao redor soltaram gritos abafados, temendo que uma tragédia acontecesse ali mesmo.

— Como você teve coragem, Cora? Como teve a coragem de matar o meu filho? — Bernardo rosnava, questionando-a repetidas vezes.

Mesmo sufocando, as mãos de Cora instintivamente agarraram o colarinho de Bernardo.

Os dois mediam forças num embate silencioso.

Bernardo a observava de perto, sem saber se recuava diante da determinação absoluta nos olhos dela ou da palidez mortal em seu rosto.

Como se de repente caísse em si, ele a soltou bruscamente.

Livre do aperto, Cora tossiu violentamente. Num gesto muito sutil, protegeu o ventre com a mão, tomando o máximo de cuidado para que Bernardo não percebesse o instinto materno.

Recuou até uma distância que julgava segura.

Ainda ofegante, ela disparou:

— Bernardo, não é melhor para você que esse filho não exista mais? Como você iria explicar isso para a Adelina? Pare de fingir que se importa tanto com esse bebê. Se eu o mantivesse, você não seria o primeiro a me obrigar a tirá-lo?

Agora era Cora quem o colocava contra a parede.

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