Talvez por tê-lo amado tão intensamente no passado, Cora percebia as preferências de Bernardo num piscar de olhos. O apartamento, contudo, estava longe de refletir seu gosto habitual. Em vez disso, exibia cores suaves. Eram os tons favoritos dela. Os gostos de Adelina tendiam a cores ostensivas, características de quem estava no auge da fama. Sua predileção não era segredo para ninguém. Mas, diante de tudo aquilo, Cora se manteve impassível.
— Quase ninguém vem aqui. — Bernardo comentou, antecipando-se à pergunta silenciosa de Cora. — De vez em quando, venho para passar a noite.
Como ele e Adelina não moravam sob o mesmo teto, Bernardo continuava residindo no imóvel que dividira com Cora, recorrendo à cobertura em poucas ocasiões.
Cora fez um gesto com a cabeça, sem nada a acrescentar.
— Você vai ficar na suíte principal. Eu e o Caio vamos dormir no quarto de hóspedes. — Bernardo determinou, de forma sucinta.
Houve um breve momento de hesitação da parte dela. Ela achou um pouco estranho ficar no quarto principal da casa, mas ela não fez objeções. Sem demora, caminhou em direção à suíte principal. Se Bernardo já tomara a decisão, por que bancar a difícil? E, com Caio presente, Bernardo não tentaria nenhuma atitude duvidosa.
A primeira coisa que fez ao adentrar o quarto foi tentar falar com Daniel, mas a chamada não foi completada. Em seguida, lembrou-se de que ele estava a caminho de Tóquio, então a ausência de sinal de celular era previsível. Ela mandou uma mensagem tanto para Daniel quanto para a sua assistente.
Cora: [Está chovendo muito em Lagoa Cristalina. Voltarei para o hotel assim que a chuva passar, não se preocupem.]
Cora estava ciente de que, caso não retornasse ao hotel, a assistente reportaria a situação a Daniel. Ele não era ingênuo e descobriria onde ela estava rapidamente, de forma que avisar de antemão seria a opção mais prudente. Assim que mandou a mensagem, lembrou-se de que a assistente havia levado a sua mala. Estava sem roupas limpas para trocar, e aquilo só aumentava a dor de cabeça de Cora.
Naquele exato instante, escutou batidas na porta. Ela pausou por um segundo antes de se recompor e abrir a porta. Bernardo estava do lado de fora.
— Sr. Pereira? — ela o saudou, de modo impassível.
Ele, com uma expressão serena, entregou-lhe uma peça de roupa:
— A loja enviou esta camiseta há pouco tempo. É minha, mas você pode usar por agora. Você pode lavar a sua roupa e colocar na secadora para vesti-la amanhã. Lembrei que sua mala ficou com sua assistente.
— Muito obrigada — Cora concordou, sem cerimônias.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....