Cora parecia relaxada. Ao provar a comida, ela se surpreendeu um pouco. Bernardo de fato cozinhava muito bem.
— A saúde de Caio é frágil. Ele está sempre comigo e é bem exigente com a comida, por isso acabei aprendendo a cozinhar. E aos poucos, a minha culinária foi melhorando — Bernardo adiantou a explicação, como se tivesse percebido a confusão nos olhos dela.
Ela levantou a cabeça:
— E os cozinheiros?
— Quando eu estou em casa, ele só quer comer o que eu faço — ele abriu um sorriso.
Cora fez um movimento afirmativo com a cabeça. Antigamente, ele nunca entrava na cozinha de jeito nenhum. Mesmo nos tempos de estudos no exterior, havia quem se responsabilizasse por essa tarefa. Ele mesmo raramente assumia o papel de cozinheiro para as suas refeições. Cora decidiu deixar suas dúvidas de lado.
Caio tomou a frente:
— Eu gosto do papai.
Ela exibiu um sorriso amistoso, enquanto o menino continuou, com a voz embargada de doçura:
— E eu também gosto muito da tia.
— A tia também gosta muito do Caio — Cora embarcou na demonstração de afeto.
Uma alegria irradiou do menino. Bernardo permanecia acompanhando a cena, e mais uma vez se conteve, deixando o entrosamento fluir sem as suas interferências.
Quando o menino a questionou sobre Noelia, Cora trouxe à mesa as histórias da menina de forma generosa. E a conversa acompanhou o andamento do jantar, sem pausas até a exaustão se revelar através de um bocejo. Ela propôs a cama. Ele não se esquivou, mas não a soltou da mão em momento algum.
— Posso te levar até o quarto? — Cora riu levemente.
Ele não disse nada, e Cora seguiu direto para seu quarto sem hesitar. Mas logo quando ela se virou, ele de repente entrelaçou os dedos no pulso dela. As sobrancelhas de Cora se ergueram, um sinal fugaz de rejeição, mas transparente, e que não escapou do radar de Bernardo.
— Sr. Pereira, deseja falar mais alguma coisa? — ela comentou secamente. — Esse não é um comportamento apropriado.
Ele manteve o olhar fixo nela. Cora puxou de volta o seu braço suavemente, sem oposição dele. Cora estava prestes a se virar de novo, mas a mão de Bernardo se dirigiu à sua boca. As feições da mulher ganharam um novo sobressalto:
— Bernardo?
"Bernardo" — e não o "Sr. Pereira", como vinha usando de barreira até aquele instante. Ele, em contraste, nem piscou, as pupilas focadas nela, e uma fala quase abafada a alcançou:
— A sua boca estava um pouco suja.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....