Ainda assim, diante de Bernardo, ela se mantinha impecável. A máscara da doçura não caía.
Na verdade, chegou a usar palavras compassivas para defender a rival.
Ela sabia que bancar a santa e a compreensiva era o jeito mais rápido de insuflar o ódio que Bernardo nutria pela esposa.
— No fundo, a vida da Cora também não é fácil. — Ela acariciou a mão dele, os olhos marejados. — Ela foi casada com você por sete anos, Bernardo. Ela gostava de você de verdade, te amava. Mas não esperava que o seu coração nunca lhe pertencesse. Agora que a verdade veio à tona, deve estar sendo insuportável para ela. Essas atitudes explosivas... são compreensíveis. Por favor, não seja tão duro com ela.
Enquanto despejava essa atuação magistral, Adelina o observava por baixo dos cílios, atenta a cada microexpressão no rosto dele.
— Se ela quer partir, por que simplesmente não a deixa ir? — A voz era um sussurro aveludado. — Eu até tenho pena dela. Sabe... eu queria muito convidá-la para almoçarmos juntas um dia.
— Já que estou roubando o marido dela, o mínimo que eu quero é que ela não cometa nenhuma loucura, senão a minha consciência não me deixará em paz. — Ela disfarçava suas verdadeiras intenções com desculpas esfarrapadas, mas o objetivo de cada frase era plantar sugestões na cabeça de Bernardo.
Bernardo, é claro, tinha capacidade de ler as entrelinhas.
Mas optou pelo silêncio.
Ouvir Adelina repetir o mesmo discurso passivo-agressivo vezes sem conta já estava lhe causando certa irritação.
Contudo, ele justificava essa irritação como sendo apenas uma falta de paciência crônica com papo de mulher.
— Já que vocês ainda estão casados no papel, tente tratá-la com um pouco de gentileza. Assim, quando os papéis forem assinados, ela não sairá falando mal de você por aí. — A falsidade escorria como mel.
— Você quer mesmo que eu trate a Cora melhor? — ele retrucou, o tom perigosamente neutro.
Pega de surpresa, Adelina encolheu os ombros, fazendo um biquinho de garota injustiçada, mas sem coragem de responder.
Era o equilíbrio perfeito entre a magnanimidade fingida e a hipocrisia covarde.
Como era esperta, percebeu a tempo que esticara a corda demais e logo recolheu as garras.
Mudou de assunto num piscar de olhos:
— Sabe, amor, quando o médico veio me examinar, perguntei quando eu começaria a sentir os chutes do bebê. Ele disse que por volta das dezessete ou dezoito semanas já dá para perceber. Eu mal posso esperar por esse momento... Acho que é quando a gente se sente mãe de verdade.
— Hum. — Foi a única reposta que ele deu, a cabeça claramente em outro lugar.
A apatia dele atingiu os radares de Adelina num segundo.
Ela apertou a mão dele com mais força, a voz embargada:
— Bernardo, eu fui um estorvo hoje, não fui? Eu sei que não deveria te ligar por qualquer bobagem, mas os hormônios da gravidez estão me deixando tão insegura. Eu simplesmente surtei.

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